Quinta-feira, 26 Novembro, 2009
Categoria: Destaque
Etiquetas: Big Strick, Fabric, FXHE, Omar-s

OMAR-S
Still Serious Nic
12″ FXHE – 9.95 eur 8.95 eur
Sem grande margem para falhar, o produtor de Detroit mais citado nos últimos anos como representante de uma cultura no bulshit na música de dança tem lugar cativo no coração de quem valoriza a expressão genuína e crua da house. Quando ele escreve “Motown minimal sound” no próprio vinil de uma das suas edições está realmente a querer dizer que a sua música é Soul, de um modo que para um nativo de Detroit como ele está em perfeito alinhamento com a herança deixada pela Motown (a editora mas também o nome por que é conhecida Detroit). Raramente esperado no pico de uma noite, o som de Omar-S paira na sala como se estivesse lá desde sempre e prepara eficazmente o torpor confortável de quem quer subir um pouco mais nas emoções dessa noite. Críptico e enigmático, não é nunca banal nem quando se serve de vocalistas para transmitir melhor o que considera soul.
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OMAR-S
Just Ask The Lonely
CD FXHE – 16.95 eur 12.95 eur
Reedição em digipak e com tema extra do primeiro álbum (2005). Não foi aqui que tudo começou mas é neste disco que pela primeira vez se sentiu em maior escala a visão única de Omar-S. Filtros, blips, o beat arrastado como Theo Parrish e a improbabilidade de se chamar house, sem problemas, a este salto para dentro da engenharia de som (o que Omar diz que faz). A faixa extra nesta reedição é “Track #8″, que tinha aparecido em maxi de um lado apenas. De resto, um conjunto de temas que fazem deste álbum um título fundamental na discografia que se elaborar desta primeira década do século XXI.
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BIG STRICK
7 Days
12″ FXHE – 9.50 eur
A história é que Big Strick é primo de Omar e um deles aprendeu certamente coisas com o outro, possivelmente partilhando o mesmo equipamento. A definição de house é semelhante, a pureza abstracta, a emoção na música reduzida a componentes básicos que é preciso sentir em nós também, nada é imposto e é preciso procurar o ponto de contacto porque, se não o fizermos, estes discos não vão insinuar-se em frente a nós. Discreto e brilhante.
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TAMBÉM EM STOCK:

Omar-S – Detroit “Fabric 45″ CD Fabric 15.50 eur 12.50 eur
Composto inteiramente por música sua, tal como Villalobos havia feito na sua contribuição para esta série do clube Fabric. Funciona igualmente como compilação do catálogo anterior de Omar-S e Oasis (o outro nome sob o qual grava). Excepcional alinhamento de deep house sem compromisso com o beat da moda.
Omar-S / Shadow Ray “Oasis Collaborating: Album II” CD FXHE 16.95 eur 14.95 eur
Váriações infinitas (e infinitamente boas) sobre a técnica e sensibilidade de Omar-S (aqui com um enigmático Shadow Ray, cuja existência ele não confirma nem desmente). Reminiscências da fase Artificial Intelligence da editora Warp, de um ou outro pormenor de Autechre. Mais uma vez puro ouro. Edição de 2006.
Omar-S + Big Strick “1992″ CD-R – 14.50 eur
Gravada em cassete em 1992, mixtape realmente clássica com passagem por jack de Chicago, garage de NY, boogie e electro dos 80s, Michael Jackson e Saint Etienne, aqui podemos sentir e ouvir de onde vem o que move estes dois produtores. Quase não tem hits, a menos que vocês saibam de cor toda a história da house. O som é quente, a primeira voz que se ouve diz “The password is Play” e o sentimento geral não será encontrado nos inúmeros CDs misturados que inundam o mercado e dificilmente nos incontáveis sets que enchem blogs na net.
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Sexta-feira, 20 Março, 2009
Categoria: Novidade
Etiquetas: Destaques Lust, Fabric, Omar-s

OMAR S – DETROIT
Fabric 45
CD Fabric – 13.95 eur
Omar S corre pela justiça e integridade e por isso é antipático e inconveniente. Quem se sente ofendido pode bem passar à frente, mas ao fazê-lo estará a boicotar uma das fontes de música mais genuínas da actualidade. O célebre comentário de Omar sobre não fazer ideia quem é Villalobos mostra a sua existência paralela a uma realidade que damos como adquirida – quer dizer, Ricardo Villalobos é megastar em muitas partes do mundo. Mas não tem Myspace nem site, manobra underground de que nem Omar S se pode gabar (ele tem as duas coisas). Ao dizerem que “fez um Villalobos” com esta edição no Fabric, isso significa que Omar gravou um set exclusivamente com música sua, alguma dela inédita. Parece coisa simples, quando se ouve, nada de especial, mas a verdade é que não se consegue transmitir eficazmente a importância do que este produtor de Detroit está a fazer se não se gostar naturalmente de house ou techno ou, pelo menos, se não existir uma predisposição para absorver e incorporar os mistérios e poderes da Força (= Música). De “Polycopter”, uma vibração rítmica meio diabólica como coisas de Plastikman à volta de 94, até “Set Me Out”, uma canção esquelética com voz soul clara e distinta, bem saliente na mistura final de som, Omar S faz o sangue pulsar nas veias e une a boca à cauda da serpente universal. Tudo isto sem pensar no assunto.
Também recente:
OMAR S “Blown Valvetrane” 12″ Sound Signature – 9.95 eur
Em breve:
OMAR S “Out of 853 Beats/Hot Ones Echo Through the Ghetto” 7″ Ed. Limitada FXHE
excertos para ouvir aqui e aqui.
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Sábado, 10 Janeiro, 2009
Categoria: Top
Etiquetas: 2008, Bjorn Torske, Ghost Note, Johannes Volk, Mathew Jonson, Omar-s, Photonz, Reggie Dokes, Slight Delay, The Juan Maclean, Theo Parrish, Tim Toh

11 singles que considerámos importantes em 2008.
Podem consultar aqui textos e listas mais pessoais e também de convidados que acederam em partilhar connosco as suas visões do ano que passou. Jornalistas, promotores, músicos, DJs, etc., portugueses e não só.


1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis” (FXHE)
1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis #2 (no drum mix)” (FXHE)
O #2 surge perto do final do ano e pulveriza a concorrência. Versão sem beats do maxi que saiu em Janeiro com o mesmo título, serenata dedicada aos Céus, uma produção da nova escola de Detroit, Omar-S a chegar a corações neutros, não-militantes de house. A versão com batida transporta a pista de dança para uma dimensão quase surreal de prazer no rodopio psicadélico dos seus tons. Para nós, sai da mesma matéria que gerou “E2-E4″ (Manuel Göttsching), e mesmo que não confiem em nós, vejam as vezes que Omar-S aparece nas listas que publicamos mais abaixo. Supremo. E se for arrogante ainda melhor, porque tem o direito.

2 BJORN TORSKE “Kan Jeg Slippe?” (Sex Tags Mania)
Bjorn Torske representa o tipo de produtor que respeita totalmente os maxis como obras completas, não como meros excertos de algo maior. “Kan Jeg Slippe?” oscila entre Norte e Oeste de África, Nova Iorque e a nossa cabeça, um monumento ao poder hipnótico da música, banda sonora para uma realidade vodu, uma receita exótica para nos enfeitiçar com poções que deitam fumo negro (não fumo branco). A Noruega guarda ainda tesouros imensuráveis. Homens do Norte.

3 REGGIE DOKES “Rain Redemptive Love” (Philpot)
África em todo o lado, este ano, e inegavelmente no beat de “Love”, primeira faixa do disco logo a trazer Tony Allen para tocar air drums no estúdio de Reggie. No outro lado, “Rain On Me” mistura piano, cordas e um sintetizador desregrado que ousa suplantar em atitude o som de Carl Craig, tudo demasiado perfeito para ser ignorado. Amor pelo universo e esperança no ser humano podem ser sentimentos fora de moda, mas Reggie Dokes não sabe disso. Ainda bem.


4 TIM TOH “Join The Resistance part I” (Philpot)
4 TIM TOH “Join The Resistance part II” (Philpot)
Duas partes de uma série de três, um dos manifestos mais revolucionários na renovação actual da house, quando um género passa a ser descrito apenas como Música. Parte I mais tribal e desnudada, com ritmos a chocarem com esqueletos de melodias, tudo em sacrifício ao groove. Mais romance na parte II mas sempre enroscado na batida que não deixa nunca esquecer que há um coração pulsante. Amigos, “Three”, na parte II, concentra quase tudo o que queremos ouvir: balanço, espírito, açucar, loucura, paixão, Sol e tempestade, morte e redenção – é bonito de morrer e também tem África. Tim Toh fez isto aos 22 anos, outro dia.

5 THEO PARRISH “Love Triumphant” (Sound Signature)
Uma das jams mais cósmicas do ano quando nos escaparates não está marcado como Cósmico, é esse o destino dos que se desviam permanentemente do centro onde são colocados. “Love Triumphant” irradia uma luz intensa, e sob essa luz vemos com clareza que não é alguém da música de dança a tentar fazer jazz, não se trata da pobre mímica que é celebrada como “homenagem”, não é electrónica a fazer de conta que é acústica, isto brota da terra directo lá para cima, sem tempo para se agarrar a nomes ou referências: jazz, minimalismo, kosmischer pitch, house, são os nomes que nós, pessoas comuns, temos de colocar nas coisas para podermos descrevê-las. “Spacebumps” completa o disco em típico modo Theo Parrish de stop-start e malhas de Rhodes. Fora de tudo.

6 THE JUAN MACLEAN “Happy House” (DFA)
O dance-punk da DFA, já com um historial impecável, excedeu-se em “Happy House”, Sol e mais Sol e nova inspiração DFA em Siouxsie & The Banshees. Tudo magnífico, em harmonia, quase 13 minutos de felicidade (mais do que às vezes se consegue num dia) com a voz de Nancy Whang a dirigir uma cruzada em direcção ao escapismo boa onda que só house, disco e pop conseguem natural e honestamente. “Happy House” reúne o melhor dos três géneros, abre uma porta larga para toda a gente e, quando o plano abre mais para revelar o cenário completo, os corpos que dançam formam um smiley gigante. É assim tão bom.

7 JOHANNES VOLK “The Day We Met Again” (Lifeworld)
A Alemanha, ligada espiritualmente a Detroit desde a aliança da cidade norte-americana com o clube Tresor em Berlim, produz uma nova geração de nomes que unem os feixes de ambas as proveniências para os concentrar num único, mais poderoso, apontado ao Cosmos. Tim Toh, de forma já descrita, e Johannes Volk em groove de total felicidade e comunhão. Imaginem samba, Jeff Mills, jazz astral, som atonal e Atom Heart da fase B.A.S.S. (que já era isso tudo em 1995) com licks de guitarra, rapidamente (bem acima das 120 BPM) em movimento de progressão. Se fosse mau seria quase histérico, mas deste modo são flores a multiplicarem-se num campo. Genial e aguerrido e, em ano Wall-E, a faixa do meio chama-se “Robot Love”.

8 MATHEW JONSON “Symphony For The Apocalypse: New Age Revolution” (Wagon Repair)
Num ano em que a Wagon Repair, com produção mais banal, acabou por sair um pouco dos radares, este maxi destaca-se claramente. MJ exercita a sua tendência analógica em duas faixas intensas que convocam Autechre e o Apocalipse. São dois épicos de pleno direito, sujos e carismáticos, a vender personalidade numa época digital de cada vez maior formatação genérica na cena techno. Muito respeito.

9 GHOST NOTE “Holy Jungle” (Golf Channel)
Com a Whatever We Want fora do nosso plano de 2008 (acreditem que tentámos tudo), foi a Golf Channel, também de Nova Iorque, quem permaneceu para nós como a editora a coleccionar, no que respeita a futuros clássicos do underground cósmico. “Holy Jungle” representou a magia negra nas pistas de dança, um kick forte, cordas dissonantes, guitarra com barba, coros e um ambiente soturno quebrado pelas sempre infalíveis palmas. Mark E entrega uma remistura em suspensão hipnótica.

10 SLIGHT DELAY EP (Rong)
A espantosa folha de serviço deste disco na Flur, desde que chegou em Setembro, contribuiu em grande medida para a inclusão numa lista em que a concorrência se multiplicou bastante: os re-edits. A par com Social Disco Club, Slight Delay (e a sua metade Tiago) espalharam ciência de corte em editoras de topo neste jogo: Mindless Boogie e Rong. Slight Delay passou a ser o maxi de re-edits mais vendido de sempre aqui na loja, percorreu o espectro de interessados em rock até house e o seu trunfo principal foi o re-edit de “Sunshine Baby” (Clout), um pedaço genial de reggae psicadélico editado em 1979 e que pudemos ver (e ouvir) Harvey a passar num clip algures no YouTube.

+ PHOTONZ “Shaboo” (Dissident)
Ano de impressionantes aquisições para o CV dos Photonz (Marco Rodrigues e Miguel Evaristo). Maxis na Dark & Lovely e Astro Lab (Pilooski), Republic Of Desire (Midnight Mike) e DOIS maxis na julgada inacessível Dissident, de Londres. “Shaboo” foi o primeiro, e também a primeira vez que ouvimos oficialmente os Photonz a fazer house com atenção ao detalhe clássico. Uma faixa com sons de Chicago e Ibiza e que respondeu na perfeição a uma das necessidades mais prementes nas pistas de dança em 2008: House. “Shaboo” é feliz, pouco complicado e quebra o gelo inicial na pista. Toda a gente devia ter um.
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Terça-feira, 6 Janeiro, 2009
Categoria: Destaque
Etiquetas: Detroit, FXHE, Omar-s


Detroit é a cidade da Motown, Stooges, MC5, White Stripes, Funkadelic, Eminem, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Kevin Saunderson, Juan Atkins e Derrick May. Todo o manual techno de Detroit é atribuído aos três últimos e tudo parecia inventado em 1990. Mas ainda houve Underground Resistance, Carl Craig e as muitas ramificações do som de Detroit encontradas na Europa. Agora Omar-S escreve num dos seus discos “I’m putting Detroit city back on the map!”
Pelo menos desde Underground Resistance que existe claramente uma ética no techno de Detroit. O trabalho social e militante de Mike Banks e amigos (Jeff Mills também foi UR) ficou como exemplo de uma atitude mantida viva na meia geração seguinte por Kenny Dixon Jr (Moodymann), Theo Parrish, Rick Wilhite, M. Pittman e Alex O. Smith (Omar-S), talvez o mais novo de todos eles. Theo Parrish vocifera mais porque dá mais entrevistas, mas Omar tem classe para seguir perto e ultrapassar, se ao menos publicassem mais palavras dele. Uma rara entrevista a circular na net revela a sua natureza conflituosa, por amor às raízes e ao verdadeiro espírito da música. Como Kenny Dixon Jr, Alex O. Smith utiliza o nome para as referências de catálogo nos discos: AOS, como KDJ. A informação escrita à mão, nos primeiros maxis, é mais um bocado de si colocado no vinil e, para entusiastas de mensagens escondidas, leiam as frases gravadas nos discos junto ao rótulo: “A.O.S is retiring soon!”, “FXHE is Detroit’s new sound – muffuka’s”, “This shit is sick!!!”, “Real right”, “Can y’all keep up with this!!”, “Traxx are german approved!”
Estas frases ajudam a descodificar uma personalidade em tiradas simples que falam de uma atitude em tudo semelhante à cena hip hop: eu estou aqui e é isto que vou fazer. E manter a coisa real parece ser o principal a que Omar aspira. Muito perto do sublime (”Psychotic Photosynthesis” é só a ponta do iceberg) há corridas de carros*, jogos video, action figures Star Wars e discos de boogie. Omar-S processa toda essa informação pop na sua cabeça e faz house que passa a ser a nova coisa a igualar. Tradição e futurismo em muito poucas palavras, quase nenhumas mesmo (os dedos de uma mão sobram para contar os temas com voz), um tecido muito fino que brilha intensamente com a luz certa e a luz certa é só um pouco de atenção extra que temos de dedicar à sua música.
Quando “Track #8″ apareceu, em 2004, foi a primeira vez que tivemos aqui um disco que toca ao contrário, de dentro para fora. E toca apenas de um lado, habitual nele, som meio industrial que faz parar o trânsito se ouvido numa pista de dança. “Psychotic Photosynthesis” sai no início de 2008, quando já não há dúvidas, dois meses depois de um maxi sem descrição numa editora classificada como “de dança”: era “Plastik Ambash” (Kyle Hall) na FXHE de Omar.
Theo Parrish diz sobre estes dois discos: “Essa merda é ridícula. Só há umas poucas pessoas em Detroit, na verdade em qualquer parte, que vêem que há espaço para editar coisas ou ideias que ainda não foram exploradas. Ele está a fazer isso. Também está a apanhar alguns artistas novos. Editou “Plastik Ambash”, do Kyle Hall. Aquilo anda para a esquerda e para a direita, o ritmo todo alterado. Ainda estou a aprender a tocar isso! É um disco lixado, fantástico. Mas ninguém anda a fazer essas coisas. Ouve-se a primeira vez e é tipo “que merda é esta?” Depois ouve-se outra vez e percebe-se que ele está lá à frente. E depois descobre-se que o tipo só tem 17 anos? É de loucos.” (Kyle Hall nasceu em 1991)
Theo sabe do que fala. Ele próprio fez alguns dos discos mais estranhos de house, e esse é também o desafio com Omar e outros DJs/produtores de Detroit: saber que o caminho pode ser mais longo e desviado do que é normal mas segui-lo na mesma, apreciar todos os minutos, porque aquilo que se ouve não é só uma sucessão de discos mas uma personalidade a ser revelada. Todos passam as suas coisas nos próprios sets, e as coisas dos amigos, é um circuito que, do exterior, parece fechado e impenetrável até se perceber que tudo o que é preciso é gostar de música, gostar da antecipação e não esperar um climax a cada 3 minutos, trabalhar progressivamente para uma festa em vez de entrar com a expectativa de ser esmagado imediatamente pelo último crescendo da moda. Amor fraterno e militância arrogante são as faces na mesma moeda. Alguém diz num dos fóruns dedicados a comentar a entrevista de Omar-S: “é por isso que não quero falar nem conhecer pessoalmente nenhum dos meus músicos preferidos.” Melhor atitude de sempre, depois de ultrapassarmos a fase de deslumbre e vontade de ligação directa com aqueles que tornam melhores os nossos dias. Descobrirmos que vários deles não têm nada para nos dizer e é melhor ficar do lado de cá a interpretar as coisas boas que nos dão. Todos os segundos de som e gramas de vinil de Omar, Theo, Pittman e a irmandade black que responde ao chamamento Superior traduzem o respeito pela verdade, dedicação e originalidade, não no sentido da originalidade por si mas no sentido do reconhecimento pessoal e íntimo de que o que se faz e se pensa tem de ser nosso, não de outros. Ouvir a música deles pode equivaler a uma lição de ética sem a teoria, só a prática, saltando todos os pormenores aborrecidos directamente em direcção ao centro que faz mexer a cabeça e tudo: o corpo e as emoções, que nunca se sabe de onde vêm. Moodymann, Theo Parrish e aposto que Omar-S (em “006″) utilizam fotografias de quando eram putos para simbolizar uma ligação às raízes e a uma pureza não contaminada por demasiada aprendizagem no mundo exterior. Mas o mundo exterior, hoje, SÓ quer Omar-S, as viagens à Europa são cada vez mais frequentes, os elogios, as lojas que querem ter os discos, e então AOS escreve em outro dos seus discos “I’m a invisible man in my county”. Quando se diz que ninguém é profeta na sua própria terra pensa-se também em “111″, álbum de 2006, listado em algumas lojas com o título “Foe Da International DJ Only”, frase para crackar o código da música mais sincera que se ouve nas pistas. Não aceitem imitações, se nunca ouviram falar de Omar-S vamos ter de repetir o que já se disse na parvoíce que é a internet: perguntem a alguém. Melhor: vão ouvi-lo. Se não gostarem, o vosso coração pode bem ter sido colocado do lado errado quando foram fabricados.
*Subaru STI (2006)
Omar-S: “É um carro de rally, ninguém sabe o que é, por isso ninguém o quer roubar, e depois é rápido como tudo e podes andar a batê-lo o dia todo numa corrida.” Mas agora é visto em fotos com o Corvette ZO6 de 2008. Como é??
obrigado a
www.infinitestatemachine.com
Omar-S “Psychotic Photosynthesis (no drum mix)” foi eleito o melhor maxi de 2008 pelo staff da Flur. Cópias ainda disponíveis ao preço de 8.95 eur.
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Domingo, 21 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
Etiquetas: Destaques Lust, Fotos, FXHE, Omar-s



OMAR-S
Psychotic Photosynthesis #2
12″ FXHE – 8.95 eur
Também chamada no drum mix, esta versão do original que ouvimos em Janeiro passado suspende durante 10 minutos a realidade do que é um maxi de house para criar um outro paradigma. “Psychotic Photosynthesis” não é tanto descendente de maravilhas cósmicas como “E2-E4″ (Manuel Göttsching) ou “Days Of Mars” (Delia Gonzalez & Gavin Russom) como parte da mesma matéria que originou esses dois discos. Mesma fonte, mesma proveniência, ainda que Omar-S se dedique a coisas bem mais terrenas do que nos parece que ocupem Göttsching e até Delia & Gavin. As modulações no groove mantêm a música fresca durante os 10 minutos, é o tipo de groove circular que sustém indefinidamente o interesse, porque não importa o que coloquem por cima, ele é o único real fio condutor da acção. Mas Omar espalha uma boa quantidade de detalhes ao longo do percurso, manobras de diversão psicadélicas que, tendo ou não surtido o seu efeito na cabeça de quem escuta, nunca nunca sufocam o groove. Pena não existir uma só palavra em português para definir isto.
DIREKT FROM DA SOURCE alguns títulos anteriores que voltámos a ter em stock:
Omar-S “001″ 12″ – 9.50 eur
Omar-S “002″ 12″ – 9.50 eur
Omar-S “003″ 12″ – 9.50 eur
Omar-S “Track #8″ 12″ – 9.50 eur
M. Pittman “EP” 12″ – 9.50 eur
M. Pittman “#2″ 12″ – 9.50 eur
Mais em breve.
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