PRINCE RAMA
Trust Now
CD Paw Tracks – 12.50 eur9.50 eur
LP Paw Tracks -16.95 eur13.95 eur
Avey Tare e Deakin foram substituídos por Scott Colburn na produção. Michael Collins deixou o colectivo entregue às irmãs Taraka e Nimai Larson. Mas pouco parece ter mudado. Não haverá, por assim dizer, inovação, antes consumação e celebração do espaço conquistado e de uma abordagem tribal que nos convoca para um qualquer ritual sagrado que se situa entre um plano encantatório e outro horrífico. Espécie de limbo, com um pé na pop e outro numa parafernália instrumental (muita percussão, sintetizadores e baixo) conduzida pela candura e magnetismo das vozes de Taraka e Nimai – com fortes reminiscências de Kate Bush e, claro, Gang Gang Dance. As referências passeiam-se, como não podia deixar de ser, pelo tom épico e colorido do oriente, por fontes góticas e pelo psicadelismo pós-hippie. No final, um disco que, não sendo convencional, obedece às expectativas criadas pelo seu antecessor, “Shadow Temple”.
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Ainda disponíveis: PRINCE RAMA “Shadow Temple”, CD Paw Tracks – 15.95 eur11.95 eur PRINCE RAMA “Shadow Temple”, LP Paw Tracks – 21.50 eur17.50 eur
PANDA BEAR
Tomboy
4LP+LIVRO Paw Tracks – 39.95 eur37.50 eur
Os dias estão mais curtos na nossa cabeça. Com isso pensamos que os anos são mais curtos, que tudo passa num instante e com isso ficamos com uma ideia irreal do tempo. Por exemplo, ouvimos falar há tanto tempo de “Tomboy” que para nós nem é um disco de 2011. A primeira vez que o ouvimos foi no início de 2010, em dois concertos esgotadíssimos de Panda Bear no Lux. O disco só sairia um ano depois e hoje à noite Panda Bear regressa ao Lux para um concerto em que tocará juntamente com Mr. Peter Kember, lendária figura que fez parte dos Spacemen 3 e assinou projectos desde então como Spectrum, Experimental Audio Research entre outros. Ele, para quem não sabe, é o produtor de “Tomboy”, por isso temos todas as razões para acreditar que esta noite vai ser mais especial do que as outras, o encontro de dois génios em palco a mexerem em canções-pérolas que se inscreverão na história da música popular. Essa parte é razão para não acreditarmos que “Tomboy” é um disco deste ano, há tanto nele que grita intemporalidade que só o sabemos situar depois de “Person Pitch”, porque “Person Pitch” também é um disco assim. Mas entramos nos factos e percebemos que “Tomboy” é de 2011 e que é um dos discos (o disco?) de que mais gostámos em 2011. Não foi o murro imediato de “Person Pitch”, foi outra coisa qualquer. E essa “outra coisa qualquer” foi aquilo que Panda Bear procurou durante os anos que separam um álbum e outro, aquilo que levou a que o seu lançamento se atrasasse quase um ano: porque tinha de ser aquilo. E enquanto o álbum não saia, fomos presenteados com singles em 7″, todos eles em editoras diferentes (Paw Tracks, Fat Cat, Domino, Kompakt) que mais tarde viríamos a saber que seriam versões diferentes daquelas presentes no álbum, pois ainda não tinham o toque de Kember. E o que Kember fez a essas canções – e às outras – foi dar-lhes uma dimensão, uma aura, ainda maior. Os singles entretanto esgotaram em quase todo o lado (nós ainda temos alguns). E se 2011 foi um ano especial com “Tomboy”, tornou-se obrigatório celebrar o álbum com uma edição que desvenda parte desse processo de criação de Panda Bear, juntando os temas finais, com as versões dos 7″ e ainda versões a cappella e instrumentais. Edição de luxo em caixa com 4 LPs que transforma o “Tomboy” original em 2LP (originalmente era só um), sendo os outros dois dedicados às versões referidas. A acompanhar esta caixa, um livro 12″ de 16 páginas, que respeita o imaginário do artwork original, com com as letras de “Tomboy”. Isto não chega? Há ainda uma canção nesta versão renovada de “Tomboy”, inédita, “The Preakness”. Uma edição maior para uma obra-prima, limitada a cinco mil exemplares.
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PANDA BEAR
Tomboy
LP Gatefold Paw Tracks + download com o concerto em Governor’s Island Paw Tracks – 21.50 eur17.50 eur
CD Paw Tracks -16.50 eur12.50 eur
A espera foi longa, custou ainda mais com a falsa verdade de que o disco iria sair durante o ano passado. Singles foram caindo a conta-gotas, alimentando a gula pelo prometido sucessor de “Person Pitch”. Ele aqui está, “Tomboy”, de Panda Bear, o norte-americano mais ilustre a viver em Lisboa (para nós), membro dos Animal Collective, habituado a fazer história com a sua banda e em nome próprio. A espera justifica-se com questões criativas, Noah queria transformar o seu som, deixar de trabalhar com samples e procurar algo de novo, criativamente. Depois de “Person Pitch” percebeu que o método que utilizava nos samples o levava – e levaria – sempre para os mesmos caminhos, para o mesmo som, ainda para mais quando metade do mundo indie começou a copiar aquilo que os Animal Collective e Panda Bear fizeram. Demorou a construir estes novos temas, a encontrar o encaixe perfeito que combinasse com o uso da guitarra e de sintetizadores (há samples, mas em número reduzidíssimo). Os concertos ao longo do último ano e o lançamento dos singles mostraram-nos os temas, não em forma de rascunho, mas num desenho possível em constante metamorfose. Chegamos agora ao produto final, depois de passar pelas mãos de Sonic Boom, mítico membro dos Spacemen 3, que misturou “Tomboy”. A diferença é notória para quem ouviu versões anteriores (como nos singles), há uma presença mais densa em “Tomboy”, um som em aglomerado, e alto, que faz ocupar a totalidade do espaço onde se ouve. Por isso este novo álbum não tem o lado celebratório óbvio de “Person Pitch”, o lanche pop imediato que o tornou num dos grandes discos da década passada. “Tomboy” pede para nos envolvermos, para sermos envolvidos pela arquitectura de Panda Bear. Aí a edição em vinil faz algum sentido, pela separação de lado A e lado B, com dois temas a fecharem (”Drone” e “Benfica”) que terminam com um falso suspense, um ruído que se prolonga até ao infinito e que nos diz que a música de Panda Bear não termina ali. Criam sentimentos difíceis de conter – em “Drone”, por exemplo, esperamos mais qualquer coisa que não nos é dada; contudo aquilo que oferece é absurdo, o suspenso é uma propagação do infinito que teremos de absorver; em “Benfica” o final é abrupto, uma marcação de fim, como se Panda pedisse para continuarmos a celebrar dentro de nós. É difícil resumir um disco que traz tanta coisa, cada canção é um mar de ideias que parecem concretizar-se de um modo compacto, sintético, mas sem deixar nada de fora. Abrem espaço para muitas outras coisas, mas o que têm dentro delas é mais do que suficiente para pensarmos nos próximos anos. Há o início espectral de “You Can Count On Me” que lembra precisamente os Spacemen 3, a batida dub de “Tomboy”, o encontro pós-house em “Slow Motion” ou “Afterburner” ou as lindíssimas incurssões pop clássicas em “Surfer’s Hymn” ou “Alsatian Darn”. Há muito mais dentro destas canções e nas outras não referidas há outro tanto para procurar. Por tudo isto e por nos lembrarmos do que “Person Pitch” nos fez sentir na altura, o que acontece em “Tomboy” não é um ponto de viragem. É uma nova afirmação de glória, um estrondoso documento pop da actualidade, tal como era “Person Pitch”. “Tomboy” vai deixar-nos marcados, agora e para sempre.
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“Vai ser difícil encontrar este ano um conjunto de canções que se revele constantemente tão estimulante e revigorante e, ao mesmo tempo, demonstre um verdadeiro apelo pop.” 5/5 in DIÁRIO DE NOTÍCIAS
“(…) sublinhe-se que o novo de Panda Bear é um álbum magnífico e, apesar de não estar à altura do que o precedeu, é já um dos candidatos a disco do ano(…) Não há como não gostar.” 5/5 in TIME OUT
“Noah abandonou os samplers e adoptou ritmos e mixagens cheias de loops, com a voz a surgir várias vezes distorcida. Com esta transformação, perdeu-se uma certa liberdade, mas ganhou-se uma serenidade musical que em Panda Bear é sempre criativa”. in SOL
“Tomboy” é aquilo que nos habituámos a esperar de um disco de Panda Bear: nada daquilo que estávamos à espera.” 4/5 in JORNAL I
“‘Tomboy’ é disco de meia-estação, por vezes mais próximo da Primavera, outras vezes no Outono, sempre difícil de catalogar. Menos directo, menos imediato, este é também um disco mais diverso, mais cheio.” in BODYSPACE
“‘Tomboy’ é mais um episódio de excelência na obra de um nome que, tanto a solo como com os Animal Collective, é cada vez mais uma das figuras centrais da música do início do século XX.” 5/5 in SOUND AND VISION
Não foi oficialmente o início de tudo, mas as reedições da Paw Tracks a meio da década passada foram o primeiro grande sinal da importância que Ariel Pink iria assumir na música popular até aos dias de hoje. Dois álbuns salvos da quantidade imensurável de material que Ariel tinha gravado até então e que serviram para iniciar o mito e apresentar a uma população mais alargada uma reinvenção da canção que vai desde o que os Beach Boys deixaram há décadas até ao momento em que os Animal Collective começaram a bater na consciência global, com Prince e Kurt Cobain ali pelo meio. O som de Ariel em “The Doldrums” e “House Arrest” é uma espécie de vestígio molhado do shoegaze a olhar para o Sol (e não para o chão), um tratado de génio sobre como criar com pouco e daí fazer muito, num registo esgazeado que trouxe ao mundo canções como “Hardcore Pops Are Fun”, “Every Night I Die At Miyagis”, “For Kate I Wait” ou “Good Kids Make Bad Grown Ups”, temas incontornáveis para quem queira ter uma boa vivência com a década passada. Os discos não são novidade, essa está na sua reedição, pela primeira vez, em vinil, com boa prensagem e um cupão para fazer o download em mp3.
The Doldrums
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House Arrest
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AVEY TARE
Down There
CD Paw Tracks – 15.95 eur11.95 eur
LP Paw Tracks – 21.50 eur17.50 eur
Não há nenhum mortal que tenha ouvido “Pullhair Rubeye” e que não tenha pensado que “Down There” pudesse sofrer de um processo semelhante nos últimos instantes. O disco de Avey Tare dos Animal Collective com Kría Brekkan (Múm) é um disco muito bonito mas que no processo final passou pela ideia apocalíptica de ser editado de trás para a frente, uma opção furada e provavelmente um dos maiores erros da década passada, quando as canções originais são tão boas. Avey Tare, agora realmente a solo, não se deixou levar por mais um desses maus momentos kodak. “Down There” é um disco que facilmente se integra no círculo Animal Collective. Uma série de pormenores são logo reconhecíveis dos últimos discos: a voz ultraprocessada, a batida que desloca o som rock para um lado mais dançável. E uma das coisas que nos toca pessoalmente é que, pelos métodos utilizados, pelo uso de samples e alguns ambientes, “Down There” assemelha-se muitas vezes ao som dos Aquaparque em “É Isso Aí”. Sente-se isso nos temas que são mais canção (principalmente os iniciais); há depois um outro lado de “Down There” que se coloca ao lado da criatividade dos Animal Collective de “Here Comes The Indian” e “Sung Tongs”, que se atira a métodos do passado com uma visão no presente.
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PRINCE RAMA
Shadow Temple
CD Paw Tracks -15.95 eur11.95 eur LP Paw Tracks -21.50 eur 17.50 eur
Mais do que ser a editora dos Animal Collective, a Paw Tracks destaca-se pelo seu catálogo eclético. Sim, pode resumir-se tudo dentro do círculo Animal Collective, mas a verdade é que Ariel Pink, Excepter, First Nation, Panda Bear, Dent May e Black Dice não têm muito a ver. Acrescente-se Prince Rama, paranóia mística com um fascínio tremendo por artefactos da América do Sul, que entregam uma espécie de rock tribal enfiado numa ambiência dos oitentas (não pensem em chillwave, pensem em Dead Can Dance, por mais que isso vos faça fugir a sete pés) em modo power trip. As canções evoluem num acumular inesperado de ideias, onde a percussão assume um papel fundamental ao construir uma multiplicidade de ambientes, chamariz para muralha de som que por vezes funciona como papel de parede hipnotizante. Não cumpre sempre a 100%, mas quando acerta, vem com rasgos de génio.
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PANDA BEAR Tomboy / Slow Motion – Edição Limitada
7″ Paw Tracks - 7.50 eur5.95 eur
O muito ansiado regresso de Panda Bear está cada vez mais próximo. Enquanto “Tomboy”, o álbum, não é editado, começam a chegar os tão prometidos singles. Planeados para sairem em editoras diferentes, eis o primeiro, “Tomboy / Slow Motion” na Paw Tracks (que editará o longa-duração). A pressão de um sucessor ao nível de “Person Pitch” e de não repetir uma fórmula que entretanto foi seguida e repetida à exaustão (até por espanhóis, enfim…), e utilizada pela sua banda, os Animal Collective, levaram a esta demora e ao novo som aqui introduzido. Pelos temas ouvidos no Lux há uns meses atrás e pela amostra destes dois temas, confirma-se que a guitarra está mais presente. O uso quase-exclusivo dos samples ficou para trás, a guitarra de “Tomboy” substitui a muralha de som de samples que se ouviam em “Person Pitch” e a voz de Noah não se funde na canção como um outro instrumento, mas um elemento à parte. “Slow Motion” é bastante diferente, tema mais dub/afro, downtempo, bastante longe do esquema de canção pop perfeita de “Tomboy” que Panda Bear tão bem desenha. Dois temas díspares (em som, não em qualidade) a apontar para mil e uma direcções. Dão para perceber que “Tomboy” vai ser diferente, mas provavelmente não aquilo que a maioria das pessoas imaginam. Com este single dá para perceber que o resultado final está a anos de luz do que tem vindo a ser apresentado ao vivo e é mais do que provável que venha aí outra obra-prima. A edição, tal como as dos restantes singles que sairão, é limitada e já está esgotada na fonte…
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EXCEPTER Presidence
2CD Paw Tracks – 17.50 eur12.50 eur Oitavo álbum em oito anos, “Presidence” funciona como compilação em formato grande (CD duplo) de várias improvisações ao vivo quase desde o início do século. O colectivo de seis elementos utiliza as ferramentas da música electrónica de dança para entrar em zonas muito distantes. Psicadelia cósmica, pós-Throbbing Gristle, pós-Coil (”When You Call”), improvisação em permanente contacto com a promessa de estados alterados – Jeff Ryan diz na Wire que descobriu que “tal como no yoga ou qualquer prática que implique manter a concentração, estas maratonas de música têm efeitos reveladores sobre a consciência”, referindo-se às longas sessões de improvisação dos Excepter. Há qualquer coisa de muito libertador no formato que nos propõem, mesmo que não passemos de meros ouvintes dos seus discos. A mesma família artística que gerou No-Neck Blues Band ou Double Leopards, por exemplo, tem nos Excepter uma representação mais deliberadamente pessimista. Se tomarmos ainda o espírito livre de Animal Collective como termo de comparação, a música flui livremente mas num regime de catarse quase em oposição a AC, uma mão severa que puxa pela manga em direcção a um abismo cósmico. Mais do que música de passado ou futuro, esta música acontece em paralelo, noutra dimensão, é o que existe dentro da nuvem que não vemos no dia-a-dia.
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Um pouco de história: antes do mundo assumir os Animal Collective como uma das forças pop mais determinantes para a música no início deste século, eles experimentavam. Experimentavam não à procura de um som, mas a explorar possibilidades que aquelas 2, 3 ou 4 mentes reunidas conseguiam atingir. É por isso que chegaram onde estão hoje, é por isso que são tão influentes. Há um óptimo registo dessa fase, “Hollinndagain”, que capta as suas actuações ao vivo, quase sempre diferentes e inesperadas. “Campfire Songs” foi editado pela Catsup Plate e o projecto não vinha assumido como Animal Collective, mas Campfire Songs. Registado mais ou menos na altura de “Here Comes The Indian”, provavelmente o disco mais ignorado da discografia do colectivo, para mal de todos os que não o ouviram, antecede muito do registo acústico e luminoso de “Sung Tongs” (ajuda a compreender tê-los visto ao vivo nessa altura), ainda hoje o seu melhor álbum. Mas entretanto passou muito tempo, o som evoluiu, e ainda bem que têm uma editora como a Paw Tracks, onde reeditam os discos que escaparam ou escapam ao grande público, mas que são um pedaço importante da sua história e um óptimo exercício de memória. “Campfire Songs” surge agora, como não poderia deixar de ser, com o nome Animal Collective por cima. Porque hoje já têm a certeza daquilo que são e, embora isto nunca estivesse em causa, hoje é mais fácil olhar para trás e dar a importância devida a todo esse passado. E o passado dos Animal Collective nunca assustou, bem pelo contrário. É onde permanece aquela inocência mais inocente, a base e as ideias do futuro (hoje).
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EXCEPTER
Black Beach
LP+DVD Paw Tracks – 23,50 eur19,50 eur
Ondas, flautas, percussão, silêncio. O novo álbum dos Excepter quebra completamente com o registo até hoje editado. “Black Beach” está próximo de uma gravação dos No-Neck Blues Band, mas destituído do carácter mais rock destes, e envolto em algo mais ambient. Gravado no ano passado durante a digressão na costa oeste dos Estados Unidos, “Black Beach” é uma banda sonora para o filme homónimo de Harrison Owen, que regista uma actuação ao ar livre da banda, no Big Sur, na praia Sand Dollar. O registo sonoro funciona melhor quando não acompanhado pelas imagens. O som das ondas misturado com as notas inflexíveis da flauta permite uma maior abstracção sem o complemento do registo filmíco do mar e da actuação da banda. Nos seus 36 minutos de música, “Black Beach” flui como um organismo vivo. Uma espécie de acto contínuo de liberdade criativa da banda. Ouvem-se os Excepter como nunca se ouviram, no meio das canções surgem novas canções, com total espontaneidade, com uma orgânica à qual nunca se entregaram. É diferente, é surpreendente e cresce imensamente a cada audição. Vai de 8 a 80, mas quando chega ao limite nunca mais de lá sai. O DVD, além do filme “Black Beach”, traz também um concerto inteiro no The Echo em Los Angeles, entre mais alguns bónus.
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ERIC COPELAND
Alien n A Garbage Dump
CD Paw Tracks -15,95 eur11,95 eur
Membro da santíssima trindade Black Dice, Eric Copeland remete para o seu trabalho a solo uma faceta experimental menos objectiva, que não tem lugar no rumo sólido de coerência de movimentos da sua banda. Menos objectiva quer dizer que as incertezas que existiam em “Hermaphrodite” reaparecem também em “Alien In A Garbage Dump”. É difícil adivinhar o rumo que as canções tomam, Copeland aproveita gravações de campo que integra e filtra no seu universo muito próprio. Por vezes habitam nos trabalhos com fita de Terry Riley, noutras reencaminham para o espaço de não-dança dos seus Black Dice, num tom mais balearico e não tanto minimal. Composto por “Alien In A Garbage Dump”, o EP editado anteriormente na Paw Tracks, e “Al Anon”, 12″ na Catsup Plate, o segundo LP de Eric Copeland resulta, em parte, de um trabalho feliz em volta do processamento das gravações de campo. Às vezes os sons são distantes da origem, mas há sempre um fio que nos liga à terra, o mesmo que conduz o álbum do início ao fim.
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Segundo tema de “Repo” dos Black Dice tem vídeo. Para quem ainda não o viu por aí, é só clicar no sítio certo aqui em baixo. (E cliquem também, já agora, no HQ.)
Bons discos meio esquecidos (por vocês ou por nós) nos expositores da Flur. Recentes ou antigos, todos justificam algumas palavras que os possam devolver à superfície.
RINGS
Black Habit
CD Paw Tracks – 13.50 eur
Umas vezes circular, noutras apenas um local de pop rudimentar imaginado nas mentes infantis de Abby, Kate e Nina. Pode-se colocar o lugar comum dos Animal Collective no campo das referências (Abby é irmã de David Portner), mas há aqui mais Raincoats, Sun Ra, Loosers e até Chicks On Speed. Prometeram muito na primeira vida como First Nation e ao segundo álbum desvelaram tudo o resto que tinham para dar ao mundo. Hipnótico, viciante, um delírio, se quisermos, que pede para voltar sempre que se puder. André Santos
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TO ROCOCO ROT
Taken From Vinyl
Staubgold – 15,50 eur
Juro que nunca pensei em recuperar parte do entusiasmo que tive quando ouvi os primeiros passos da Kitty-Yo e as estreias dos To Rococo Rot e Tarwater, circa 1996. Esta compilação derrotou os meus medos ao primeiro assalto, com doze temas killer espalhados em singles e maxis pela Domino, City Slang, Sub Pop e Fat Cat há demasiado tempo e quase imediatamente desaparecidos. Juntem isto a Nonplace Urban Field e Atom Heart e chorem, afinal, pela década de 90. Essencial, hipnótico e um álbum absolutamente perfeito. (Há ainda muita matéria biográfica interessante para ler no livrinho que vem com esta edição.) Pedro Santos
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LOSOUL
Care
CD Playhouse – 14.95 eur
Não sendo especial fã nem de Losoul nem da Playhouse (com naturais excepções, claro), este álbum deitou-me abaixo por ser discreto e passar bem despercebido, sem hits nem picos, e ainda assim ser um tratado de groove electrónico, nem moderno nem clássico. Sobretudo por não estar à espera que fosse tão bom! Há qualquer coisa de imbatível na conquista de um espaço que habitualmente não é o nosso. Apesar de recente, acho que o disco já foi esquecido ou então ainda não foi encontrado por muitos de vocês. Crime. Qualquer interesse passageiro em house ou techno tem de garantir, pelo menos, a audição deste disco em 2009. José Moura
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THE RESIDENTS Commercial Album – 25th Anniversary Special
CD Euro Ralph – 17,95 eur
Encerrei este capítulo há algum tempo. Desinteressei-me após ter coleccionado tudo a que consegui deitar mão e ter percebido o buraco sem fim onde tinha entrado. Contudo, de tempos a tempos, não resisto a ir buscar este à prateleira. São 40 retalhos/jingles de um minuto que, repetidos, formam a canção pop perfeita, pelo menos à medida do universo dos Residents. Aqui, para além dos quatro sem nome, há Lene Lovich (aparece como Sandy Sandwich), o habitual Snakefinger - “Moisture” tem dos melhores solos de sempre -, há Fred Frith e Chris Cutler (depois dos Henry Cow já em aventura Art Bears) e Don Preston. A capa continua a ser genial. Tão genial quanto os irrepetíveis 40 minutos de “Commercial Album”. Pedro Lourenço
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BLACK DICE
Repo
CD Paw Tracks – 13.50 eur9.95 eur – promoção válida até 2/05 (mais informação aqui)
“Repo” afasta-se claramente das últimas edições dos Black Dice. É um álbum com uma direcção indefinida na história da banda. Não trocam as voltas ao techno minimal, é menos dub que os anteriores e concentra a sua força em becos sem saída, sons que não encontram direcção nem se esforçam por uma continuação. Dizer isto por baixo de qualquer outro nome seria um risco, mas acerca dos Black Dice é confirmar que continuam a escrever em letras grandes na História da Música. O seu trabalho é quase todo ele um processo de bases para entender o que nos vai na cabeça, aquilo a que gostariamos de aceder na música popular que corresponda ao que vimos acontecer na arte no século XX e cuja abstracção raramente nos foi mostrada – ou dada a ouvir – na pop com igual intensidade. Isto para dizer que a música dos Black Dice não é experimental, é para todos, portanto acessível, mas como a evolução é preguiçosa, forçamo-nos a acreditar que está à frente do seu tempo. Mas não está, eles ainda se incorporam na voz do presente, naquilo que é ou deveria ser uma linguagem correspondente à geração da informação, curiosa e entusiasta para fazer parte de tudo, mas contida em querer afirmar-se ou oferecer o corpo às armas. Ouvem-se variações do formato canção, sons cheios e disfuncionais que há dez anos seriam impensáveis mas, quando se pede para dar o passo seguinte, há sempre alguém com dúvidas. Elas dissipam-se no som dos Black Dice. Desde o início, ainda mais agora: de dia para dia a fazer mais sentido. Não é o som do futuro, porque ainda não estamos lá. “Repo” é o que gostamos agora; é onde queremos estar. Oiçam excertos aqui.
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