PANDA BEAR Tomboy / Slow Motion – Edição Limitada
7″ Paw Tracks - 7.50 eur5.95 eur
O muito ansiado regresso de Panda Bear está cada vez mais próximo. Enquanto “Tomboy”, o álbum, não é editado, começam a chegar os tão prometidos singles. Planeados para sairem em editoras diferentes, eis o primeiro, “Tomboy / Slow Motion” na Paw Tracks (que editará o longa-duração). A pressão de um sucessor ao nível de “Person Pitch” e de não repetir uma fórmula que entretanto foi seguida e repetida à exaustão (até por espanhóis, enfim…), e utilizada pela sua banda, os Animal Collective, levaram a esta demora e ao novo som aqui introduzido. Pelos temas ouvidos no Lux há uns meses atrás e pela amostra destes dois temas, confirma-se que a guitarra está mais presente. O uso quase-exclusivo dos samples ficou para trás, a guitarra de “Tomboy” substitui a muralha de som de samples que se ouviam em “Person Pitch” e a voz de Noah não se funde na canção como um outro instrumento, mas um elemento à parte. “Slow Motion” é bastante diferente, tema mais dub/afro, downtempo, bastante longe do esquema de canção pop perfeita de “Tomboy” que Panda Bear tão bem desenha. Dois temas díspares (em som, não em qualidade) a apontar para mil e uma direcções. Dão para perceber que “Tomboy” vai ser diferente, mas provavelmente não aquilo que a maioria das pessoas imaginam. Com este single dá para perceber que o resultado final está a anos de luz do que tem vindo a ser apresentado ao vivo e é mais do que provável que venha aí outra obra-prima. A edição, tal como as dos restantes singles que sairão, é limitada e já está esgotada na fonte…
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EXCEPTER Presidence
2CD Paw Tracks – 17.50 eur12.50 eur Oitavo álbum em oito anos, “Presidence” funciona como compilação em formato grande (CD duplo) de várias improvisações ao vivo quase desde o início do século. O colectivo de seis elementos utiliza as ferramentas da música electrónica de dança para entrar em zonas muito distantes. Psicadelia cósmica, pós-Throbbing Gristle, pós-Coil (”When You Call”), improvisação em permanente contacto com a promessa de estados alterados – Jeff Ryan diz na Wire que descobriu que “tal como no yoga ou qualquer prática que implique manter a concentração, estas maratonas de música têm efeitos reveladores sobre a consciência”, referindo-se às longas sessões de improvisação dos Excepter. Há qualquer coisa de muito libertador no formato que nos propõem, mesmo que não passemos de meros ouvintes dos seus discos. A mesma família artística que gerou No-Neck Blues Band ou Double Leopards, por exemplo, tem nos Excepter uma representação mais deliberadamente pessimista. Se tomarmos ainda o espírito livre de Animal Collective como termo de comparação, a música flui livremente mas num regime de catarse quase em oposição a AC, uma mão severa que puxa pela manga em direcção a um abismo cósmico. Mais do que música de passado ou futuro, esta música acontece em paralelo, noutra dimensão, é o que existe dentro da nuvem que não vemos no dia-a-dia.
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Um pouco de história: antes do mundo assumir os Animal Collective como uma das forças pop mais determinantes para a música no início deste século, eles experimentavam. Experimentavam não à procura de um som, mas a explorar possibilidades que aquelas 2, 3 ou 4 mentes reunidas conseguiam atingir. É por isso que chegaram onde estão hoje, é por isso que são tão influentes. Há um óptimo registo dessa fase, “Hollinndagain”, que capta as suas actuações ao vivo, quase sempre diferentes e inesperadas. “Campfire Songs” foi editado pela Catsup Plate e o projecto não vinha assumido como Animal Collective, mas Campfire Songs. Registado mais ou menos na altura de “Here Comes The Indian”, provavelmente o disco mais ignorado da discografia do colectivo, para mal de todos os que não o ouviram, antecede muito do registo acústico e luminoso de “Sung Tongs” (ajuda a compreender tê-los visto ao vivo nessa altura), ainda hoje o seu melhor álbum. Mas entretanto passou muito tempo, o som evoluiu, e ainda bem que têm uma editora como a Paw Tracks, onde reeditam os discos que escaparam ou escapam ao grande público, mas que são um pedaço importante da sua história e um óptimo exercício de memória. “Campfire Songs” surge agora, como não poderia deixar de ser, com o nome Animal Collective por cima. Porque hoje já têm a certeza daquilo que são e, embora isto nunca estivesse em causa, hoje é mais fácil olhar para trás e dar a importância devida a todo esse passado. E o passado dos Animal Collective nunca assustou, bem pelo contrário. É onde permanece aquela inocência mais inocente, a base e as ideias do futuro (hoje).
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EXCEPTER
Black Beach
LP+DVD Paw Tracks – 23,50 eur19,50 eur
Ondas, flautas, percussão, silêncio. O novo álbum dos Excepter quebra completamente com o registo até hoje editado. “Black Beach” está próximo de uma gravação dos No-Neck Blues Band, mas destituído do carácter mais rock destes, e envolto em algo mais ambient. Gravado no ano passado durante a digressão na costa oeste dos Estados Unidos, “Black Beach” é uma banda sonora para o filme homónimo de Harrison Owen, que regista uma actuação ao ar livre da banda, no Big Sur, na praia Sand Dollar. O registo sonoro funciona melhor quando não acompanhado pelas imagens. O som das ondas misturado com as notas inflexíveis da flauta permite uma maior abstracção sem o complemento do registo filmíco do mar e da actuação da banda. Nos seus 36 minutos de música, “Black Beach” flui como um organismo vivo. Uma espécie de acto contínuo de liberdade criativa da banda. Ouvem-se os Excepter como nunca se ouviram, no meio das canções surgem novas canções, com total espontaneidade, com uma orgânica à qual nunca se entregaram. É diferente, é surpreendente e cresce imensamente a cada audição. Vai de 8 a 80, mas quando chega ao limite nunca mais de lá sai. O DVD, além do filme “Black Beach”, traz também um concerto inteiro no The Echo em Los Angeles, entre mais alguns bónus.
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ERIC COPELAND
Alien n A Garbage Dump
CD Paw Tracks -15,95 eur11,95 eur
Membro da santíssima trindade Black Dice, Eric Copeland remete para o seu trabalho a solo uma faceta experimental menos objectiva, que não tem lugar no rumo sólido de coerência de movimentos da sua banda. Menos objectiva quer dizer que as incertezas que existiam em “Hermaphrodite” reaparecem também em “Alien In A Garbage Dump”. É difícil adivinhar o rumo que as canções tomam, Copeland aproveita gravações de campo que integra e filtra no seu universo muito próprio. Por vezes habitam nos trabalhos com fita de Terry Riley, noutras reencaminham para o espaço de não-dança dos seus Black Dice, num tom mais balearico e não tanto minimal. Composto por “Alien In A Garbage Dump”, o EP editado anteriormente na Paw Tracks, e “Al Anon”, 12″ na Catsup Plate, o segundo LP de Eric Copeland resulta, em parte, de um trabalho feliz em volta do processamento das gravações de campo. Às vezes os sons são distantes da origem, mas há sempre um fio que nos liga à terra, o mesmo que conduz o álbum do início ao fim.
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Segundo tema de “Repo” dos Black Dice tem vídeo. Para quem ainda não o viu por aí, é só clicar no sítio certo aqui em baixo. (E cliquem também, já agora, no HQ.)
Bons discos meio esquecidos (por vocês ou por nós) nos expositores da Flur. Recentes ou antigos, todos justificam algumas palavras que os possam devolver à superfície.
RINGS
Black Habit
CD Paw Tracks – 13.50 eur
Umas vezes circular, noutras apenas um local de pop rudimentar imaginado nas mentes infantis de Abby, Kate e Nina. Pode-se colocar o lugar comum dos Animal Collective no campo das referências (Abby é irmã de David Portner), mas há aqui mais Raincoats, Sun Ra, Loosers e até Chicks On Speed. Prometeram muito na primeira vida como First Nation e ao segundo álbum desvelaram tudo o resto que tinham para dar ao mundo. Hipnótico, viciante, um delírio, se quisermos, que pede para voltar sempre que se puder. André Santos
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TO ROCOCO ROT
Taken From Vinyl
Staubgold – 15,50 eur
Juro que nunca pensei em recuperar parte do entusiasmo que tive quando ouvi os primeiros passos da Kitty-Yo e as estreias dos To Rococo Rot e Tarwater, circa 1996. Esta compilação derrotou os meus medos ao primeiro assalto, com doze temas killer espalhados em singles e maxis pela Domino, City Slang, Sub Pop e Fat Cat há demasiado tempo e quase imediatamente desaparecidos. Juntem isto a Nonplace Urban Field e Atom Heart e chorem, afinal, pela década de 90. Essencial, hipnótico e um álbum absolutamente perfeito. (Há ainda muita matéria biográfica interessante para ler no livrinho que vem com esta edição.) Pedro Santos
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LOSOUL
Care
CD Playhouse – 14.95 eur
Não sendo especial fã nem de Losoul nem da Playhouse (com naturais excepções, claro), este álbum deitou-me abaixo por ser discreto e passar bem despercebido, sem hits nem picos, e ainda assim ser um tratado de groove electrónico, nem moderno nem clássico. Sobretudo por não estar à espera que fosse tão bom! Há qualquer coisa de imbatível na conquista de um espaço que habitualmente não é o nosso. Apesar de recente, acho que o disco já foi esquecido ou então ainda não foi encontrado por muitos de vocês. Crime. Qualquer interesse passageiro em house ou techno tem de garantir, pelo menos, a audição deste disco em 2009. José Moura
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THE RESIDENTS Commercial Album – 25th Anniversary Special
CD Euro Ralph – 17,95 eur
Encerrei este capítulo há algum tempo. Desinteressei-me após ter coleccionado tudo a que consegui deitar mão e ter percebido o buraco sem fim onde tinha entrado. Contudo, de tempos a tempos, não resisto a ir buscar este à prateleira. São 40 retalhos/jingles de um minuto que, repetidos, formam a canção pop perfeita, pelo menos à medida do universo dos Residents. Aqui, para além dos quatro sem nome, há Lene Lovich (aparece como Sandy Sandwich), o habitual Snakefinger - “Moisture” tem dos melhores solos de sempre -, há Fred Frith e Chris Cutler (depois dos Henry Cow já em aventura Art Bears) e Don Preston. A capa continua a ser genial. Tão genial quanto os irrepetíveis 40 minutos de “Commercial Album”. Pedro Lourenço
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BLACK DICE
Repo
CD Paw Tracks – 13.50 eur9.95 eur – promoção válida até 2/05 (mais informação aqui)
“Repo” afasta-se claramente das últimas edições dos Black Dice. É um álbum com uma direcção indefinida na história da banda. Não trocam as voltas ao techno minimal, é menos dub que os anteriores e concentra a sua força em becos sem saída, sons que não encontram direcção nem se esforçam por uma continuação. Dizer isto por baixo de qualquer outro nome seria um risco, mas acerca dos Black Dice é confirmar que continuam a escrever em letras grandes na História da Música. O seu trabalho é quase todo ele um processo de bases para entender o que nos vai na cabeça, aquilo a que gostariamos de aceder na música popular que corresponda ao que vimos acontecer na arte no século XX e cuja abstracção raramente nos foi mostrada – ou dada a ouvir – na pop com igual intensidade. Isto para dizer que a música dos Black Dice não é experimental, é para todos, portanto acessível, mas como a evolução é preguiçosa, forçamo-nos a acreditar que está à frente do seu tempo. Mas não está, eles ainda se incorporam na voz do presente, naquilo que é ou deveria ser uma linguagem correspondente à geração da informação, curiosa e entusiasta para fazer parte de tudo, mas contida em querer afirmar-se ou oferecer o corpo às armas. Ouvem-se variações do formato canção, sons cheios e disfuncionais que há dez anos seriam impensáveis mas, quando se pede para dar o passo seguinte, há sempre alguém com dúvidas. Elas dissipam-se no som dos Black Dice. Desde o início, ainda mais agora: de dia para dia a fazer mais sentido. Não é o som do futuro, porque ainda não estamos lá. “Repo” é o que gostamos agora; é onde queremos estar. Oiçam excertos aqui.
Directa ou indirectamente, os Black Dice tocaram em quase toda a gente do mundo nesta década. Não vale a pena discutir ou embater em gostos, mas a sua influência é inegável e foram um dos pilares na construção das novas linguagens da pop enquanto faziam chegar o rock transversal / experimental a um público alargado. “Beaches & Canyons” é o tal marco na sua carreira – e na história da música desta década – e o que se seguiu é um pequeno paraíso para redescobrir música dos últimos cinquenta anos: Manuel Göttsching, Boredoms, Faust, Wolfgang Voigt, Tony Conrad, White Noise, Fifty Foot Hose e muito, muito mais. Em jeito de celebração da chegada do novo disco, “Repo”, + o concerto no próximo domingo no Museu de Chiado, vamos estar a vendê-lo a preço de amigo do peito até ao próximo dia 2. A oferta é válida para compras efectuadas na loja, por correio ou para quem fizer reserva e levante o disco até ao final do dia de sábado – 2 de Maio. A partir desse dia voltamos a ter o preço normal – que é também de amigo, mas menos amigo, é verdade.
DENT MAY
The Good Feeling Music Of Dent May & His Magnificent Ukulele
CD Paw Tracks – 14.95 eur
Dent May é uma figura que parece viver na sua própria cápsula do tempo. Para além disso é a mais recente sensação da Paw Tracks, editora e labor of love dos Animal Collective, onde empregam os dólares que ganham hoje em dia editando a música em que acreditam. Por lá estão Ariel Pink, os Black Dice, Excepter, Panda Bear em nome próprio ou como Jane, entre outros. Contudo, até ao momento, ninguém cujo universo toque o de May. Teremos que ir bem fora da esfera Animal Collective, até às imediações de Stephin Merritt, Jens Lekman e até Morrissey para encontrarmos pontos de contacto com May e a sua música. Imagine-se então que misturamos Merritt e Lekman em partes iguais e que temperamos com Morrissey e polvilhamos com um qualquer grupo vocal dos cinquentas. Misturamos tudo num copo próprio e servimos decorando com uma azeitona enfiada num palito. De seguida olhamos em redor e reparamos que estamos num bar de um hotel com as paredes forradas a veludo escarlate. Resta-nos acrescentar que o título do disco deve ser interpretado como um aviso: a música de Dent May é mágica, tem a capacidade de nos rasgar um sorriso de orelha a orelha, fazer bater o pé no chão e de nos transportar até sítios pouco prováveis. Para além disso dá-se bem com a Primavera. Não acreditam? Oiçam aqui.
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.
RINGS
Black Habit
CD Paw Tracks – 14.95 eur
Rings retrata uma nova vida no trio anteriormente conhecido como First Nation. Mudança de nome por uma questão de identidade e de sentido de localização com o que agora criam. Nina Mehta, Abby Portner (irmã de Dave Portner dos Animal Collective) e Kate Rosko sentem que produzem música circular, ajudada pelo que ouvem nascer das suas três vozes em conjunto e dos instrumentos de que se fazem acompanhar: teclados, percussão e guitarra. Se na primeira vida se colocavam no universo feminino da Nova Iorque dos Gang Gang Dance, Animal Collective, Black Dice e Excepter, como Raincoats e Slits no pós-punk britânico, em “Black Habits” deslocam-se por completo dessa realidade embora este disco recorra a muitos argumentos de “Odyshape” (segundo álbum das Raincoats). Há aqui qualquer coisa pessoal a funcionar, mais do que o enquadramento numa cena, ou numa cidade, expõe-se a vivência e a prática destas três mulheres ao longo dos últimos dois anos. Não soam a nada que se faça à volta, embora seja fácil julgá-las como “Animal Collective no feminino” mas são mais um híbrido de festa na selva (género anúncio de UmBongo) com a paixão ácida dos Gang Gang Dance pelos anos oitenta. Música urbana que parece deslocada do seu espaço, com centro na folk mas ritmos influenciados pela pop, r&b e hip hop dos nossos dias. Kia Brekken, antigo elemento dos islandeses Múm, produz o segundo álbum deste trio e concilia a rebeldia inata da música com a singeleza e inocência da sua anterior banda. Ou talvez não o faça e isso seja mesmo habilidade natural das Rings (escondida no ruído de “First Nation”). “Black Habits” chega-nos limpo de impurezas da inexperiência, embora isso não signifique o aborrecimento da maturidade, mas tudo o que era bom e incrível nas First Nation chega-nos agora de forma evidente, transparente, nas Rings. (Abril 2008)
TICKLEY FEATHER
Tickley Feather
CD Paw Tracks – 14.95 eur
Annie Sachs conquistou os corações dos Animal Collective que, pouco depois de a ouvirem, convidaram-na para a sua editora (Paw Tracks) e para abrir os concertos da digressão que decorreu no último Outono. Natural da Virgínia, mas residente há cinco anos em Filadélfia na condição de mãe solteira (o filho de quatro anos, Aiden, também participa no disco), Tickley Feather é o nome artístico com que regista as gravações caseiras que começou a fazer como forma de aproveitar as noites passadas em casa, por força de obrigações maternas. O seu álbum homónimo não só marca a estreia na Paw Tracks como é o primeiro longa-duração de Annie, que só tinha editado música em splits 7″ na Badmaster e na C.N.P. Não é preciso muito tempo no disco para perceber que “Tickley Feather” reflecte a hora do dia em que foi composto. É nocturno, sem que isso implique escuridão, mas pelo tom abafado e convalescente criado pelos instrumentos electrónicos baratos usados e gravados num quatro pistas. Soa a Panda Bear se este tivesse optado por Syd Barrett em vez de Brian Wilson. Com essa ideia imaginada, concretiza-se facilmente a mistura dos universos recentes de Gang Gang Dance, Beach House, Ariel Pink e Fursaxa com a voz de Kate Bush meio adormecida por cima. Mistura essa que não implica que soe necessariamente a qualquer uma destas coisas (nem a Kate Bush, embora seja uma evidente influência), porque a abordagem pessoal e descontraída de Tickley Feather sobrepõe-se às referências e coloca-se num universo muito próprio. No fim, fica a ideia impossível de shoegaze sem guitarras: tem aquele registo sonolento tão próprio de “Loveless” dos My Bloody Valentine, em modo caseiro e, logo, com as ambições e pretensões colocadas ao mesmo nível. Animal Collective e a sua Paw Tracks não se enganam. Algo de muito especial acontece em “Tickley Feather” e eles só fazem bem em mostrá-lo ao mundo.