Sexta-feira, 25 Março, 2011

CALHAU! Quadrologia Pentacónica LP

calhau

€ 13,50 LP Rafflesia

[audio:http://www.flur.pt/mp3/RAFFLESIA006-1.mp3]

Na rota artística-musical há uns anos, Calhau têm-se “infiltrado” aqui e ali e chamado a atenção de quem está minimamente atento ao que se vai passando. As suas performances/concertos foram sempre momentos pensados (ou pelo menos aparentam sê-lo), por mais ocasionais que pudessem parecer, momentos quase sempre diferentes uns dos outros e registo do estado, ou dos diferentes estados criativos de Marta e Alves enquanto Calhau. Chegamos a “Quadrologia Pentacónica”, primeiro álbum assim-mesmo, depois de uns quantos CDRs em edições de autor. Sai pela Rafflesia (Tropa Macaca, Coclea) de Afonso Simões (Gala Drop) numa edição limitadíssima – e vistosa – em vinil. A música é Calhau. Electrónica primitiva, num drone rude quase em bruto que Alves vai trabalhando com movimentos do corpo (bem observados no concerto de apresentação na sexta passada); uma pista de dança possível para a voz e os jogos de palavras de Marta entrarem e criarem uma segunda melodia quase antagónica, encontro perfeito entre canto gregoriano e o espaço rural. O que acontece neste disco dos Calhau é a criação de um espaço invulgar, único, que não tem comparação imediata, dentro e fora, com algo que possamos – ou até queiramos – relacionar, embora apeteça estabelecer um contacto com o som “intestinal” da editora nórdica Sex Tags, até pelo seu à-vontade na liberdade de expressão. “Quadrologia Pentacónica” é estranho, um bom-estranho com que nos apetece relacionar e mais uma daquelas coisas muito especiais que vão acontecendo na música portuguesa.

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Sexta-feira, 18 Setembro, 2009

TROPA MACACA Fazer Chuva / Fazer Sol 7″

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€ 8,50 7″ Rafflesia

Cada disco e concerto de Tropa Macaca é um portal para outro mundo. Desde que os vimos pela primeira vez ao vivo, há quatro ou cinco anos. No panorama nacional estão ao lado de Loosers ou Gala Drop, aquela estilização inclassificável que ultrapassa as barreiras do rock: transversal, vanguarda, o que quiserem. Joana e André (dos Aquaparque) desenvolveram uma linguagem única, um vocabulário sem tempo ou espaço e que felizmente acontece aqui e agora. Há toda uma estética pensada, ou não pensada mas que respeita um universo muito próprio, que passa não só pela música e abrange as capas dos discos (da autoria de Joana), os títulos das canções e dos álbuns. Com “Marfim” (Ruby Red) chegaram aos ouvidos da malta da Siltbreeze que na altura (2007) o elegeu como um dos álbuns do ano. Eles vão, aliás, editar em breve “Sensação do Princípio”, LP em edição limitada,que consagrará – esperemos – esta banda que sofre das consequências da geografia. “Fazer Chuva / Fazer Sol”, primeira edição em vinil da Rafflesia de Afonso Simões, que já nos trouxe Caveira, Phoebus e Coclea, é um momento-chave para acordar cabeças adormecidas, num tempo em que os Tropa estão em digressão europeia com Blues Control (outro duo que grava algumas das coisas mais interessantes da segunda metade desta década, autores do provavelmente melhor disco deste ano) com passagem por Lisboa (Museu do Chiado) no próximo dia 25 de Setembro. Música de abstracção, descreve-se pelo momento em que a cabeça abandona o corpo e se liberta de coisas concretas. Lembra Black Dice na fase “Beaches & Canyons” + “Creature Comforts” mas mais minimal, sons house de Omar-s (“Psychotic Photosynthesis”) sem qualquer ligação explícita à música de dança, mas fá-lo desvirtuando essas relações, não procurando ligações ou uma confluência de géneros. É como música do princípio, onde o primitivo é consequência de mentes cheias de informação – ruído – e o reboot não é coisa necessária ou uma resposta, mas algo que nasce naturalmente quando se encontra uma voz, uma boca, uma palavra para falar. Essa palavra foi o primeiro concerto dos Tropa Macaca há alguns anos. Hoje escrevem frases curtas, médias, longas, com a sua própria fluência. Não é preciso partir muita pedra para chegar, basta acontecer, como tudo acontece. E aqui bastou Joana e André conhecerem-se. Oiçam “Fazer Chuva no myspace do grupo.

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Sexta-feira, 16 Janeiro, 2009

COCLEA Beams CDR

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€ 7,50 CDR Rafflesia

Guilherme Gonçalves (Gala Drop) assume em Coclea uma vertente de contemplação que tem vindo a aprofundar na sua discografia. Estabelecem-se comparações óbvias com Loren Connors, Stars Of The Lid, o trabalho na electrónica de Jim O’Rourke e sem sairmos de cá, com o Rafael Toral da segunda metade dos anos noventa. Mas onde há anos existia um fascínio pelo depuramento do som, do límpido drone, aqui tudo nos surge em forma de material cru que vai crescendo para outra coisa qualquer – nunca é drone, por exemplo -, deixando o som da guitarra arrastar momentos de cadência, tornando “Beams” num tema de fade outs e fade ins, fascinado com os várias possibilidades do instrumento. Edição limitada a 100 exemplares, todos eles numerados, numa cuidada embalagem em tecido.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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