Quinta-feira, 11 Fevereiro, 2016

RON MORELLI A Gathering Together CD / LP

€ 14,50 CD Hospital Productions

€ 20,50 LP Hospital Productions

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Desde “Spit” (já foi em 2013, caramba) que Ron Morelli tem mostrado um trabalho em volta da paciência, de como a saturação de certos sons através da repetição, de batidas que entram em rotação até ao desgaste, conseguem inverter a perspectiva do aborrecimento e criar melodias e emular um pouco um esquema de dança, mesmo que a sensação nunca seja essa e que a coisa esteja mais próxima de um industrial de Conrad Schnitzler ou de qualquer coisa que simplesmente só existe por ser excessivo. “A Gathering Together” é uma espécie de passo virtuoso nesse sentido, o jogo de paciência torna-se mais extenso, febril, e há claramente uma procura pelos detalhes, por outros materiais e caminhos, e menos pela saturação directa e metálica que existia em “Spit” e depois em “Periscope Blues”. Ou seja, de certa forma este álbum é mais abstracto é um disco mais sensorial nesse sentido e menos físico do que o que Morelli fez para trás. E a perda dessa fisicalidade é notória e contornada com mais detalhes, paciência e uma sensação quase futurista da ansiedade e do colapso. São ritmos que só existem na cabeça de Morelli e que, de alguma forma, ele consegue formá-los e transmiti-los para o ouvinte. E funciona. Cada vez melhor.

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Quarta-feira, 14 Maio, 2014

RON MORELLI Periscope Blues LP

€ 13,50 LP Hospital Productions

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Depois da fome há fartura? Talvez. Ou talvez nos últimos meses faça realmente sentido que Ron Morelli tenha saído da toca e deixe de ser apenas o cérebro que está por detrás da L.I.E.S. e comece a afirmar-se como um dos nomes mais entusiasmantes de uma electrónica que pode caber numa pista de dança, mas é sobretudo alienante, emocional e sem medo de experimentar. A parte mais interessante do som de Morelli é que as suas ideias parecem sempre variações de um mesmo tema, com um clima de tensão maior ou menor e um espaçamento de ideias mais disperso ou mais conciso. Se “Spit” e “Backpages” formaram um capítulo da sua história, “Periscope Blues” abre definitivamente outro, um que compromete o Morelli da L.I.E.S. mas que não tem medo de abrir fachadas para o seu desejo em concretizar música electrónica mais experimental. É algo palpável na electricidade dos sons e no modo claustrofóbico como nos abandona nos seus temas: somos deixados à deriva, à procura de um sentido para aqueles processos repetitivos, maquinais, simultaneamente austeros e mágicos. Paranóico, delirante, fabuloso.

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Sexta-feira, 27 Dezembro, 2013

RON MORELLI Backpages 12″

€ 11,95 12″ Hospital Productions

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Melhor do que encontrar Ron Morelli a desvendar um sucessor para as ideias de “Spit”, é ouvir mais trinta minutos de temas que seguem as linhas do álbum lançado recentemente e oferecer-nos uma versão mais extensa da magnífica “Crack Microbes”. A “Backpages” talvez falte uma história/narrativa, mas isso é substituído por quatro temas que elevam o estado do som que criou a territórios mais livres. Isto é, “Backpages” não são canções que ficaram de fora, b-sides, mas visões e experiências expandidas para outras frequências que não poderiam existir num disco tão incisivo como “Spit”. Neste formato ambíguo de um 12”/MLP pode dar-se ao luxo de editar algo tão magnífico como “Public Consumption”, um tema de synths pesados com um tom próximo do drone – mais pelo peso que vai criando, do que propriamente pelo som – e que se vai mostrando voluptuoso à medida que os minutos passam. E neste contexto mais livre, algo como “Another Hit” não fica deslocado logo a seguir: acid techno absolutamente frenético com aquela infusão L.I.E.S. infalível. Imaginem “Backpages” como aquele capítulo extra que vem com uma segunda edição, só que vem separado, para não destoar a perfeição de “Spit” e para prolongar a nossa satisfação. Perfeito.

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Terça-feira, 3 Dezembro, 2013

RON MORELLI Spit CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Hospital Productions

€ 18,50 € 16,95 LP Hospital Productions

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HOS407CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS407CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS407CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS407CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS407CD-5.mp3]

Em 2012 e em 2013 é indiscutível que Ron Morelli é um dos nomes incontornáveis da música electrónica/dança. Tal como Bill Kouligas na Pan, Morelli tem contribuído para a confusão da fronteira entre dança e electrónica nos últimos dois anos. O seu trabalho na L.I.E.S. é magnífico. A editora poderia ser uma daquelas coisas altamente coladas ao hype, mas a verdade é que ainda hoje falamos dela, os seus discos esgotam com uma rapidez impressionante e, se contarmos os dias, estamos nisto há três anos. Hype? Não parece. Mais do que criar um património, a L.I.E.S. tem sido óptima a construir a ideia de que aquilo que cria é novo. Não o é, mas o modo como o faz, com uma total inocência e desrespeito pela história funciona para a sua missão: desbrava caminho e faz chegar um novo som a novas cabeças que, provavelmente, não chegariam a esse som se tivessem que ir aos livros. De certa forma, a L.I.E.S. é a representação máxima – e bem feita – da cultura do presente incorporada na música de dança: falta de atenção, hedonista e real o suficiente para fazer o mundo acreditar nos seus ideais. Bom ou mau, é o que é. E, talvez por isso, este “Spit” foi um dos álbuns mais antecipados deste último trimestre. Chega-nos às mãos e é de facto uma maravilha, uma obra que apropria os beats comuns que frequentam habitualmente os maxis da L.I.E.S. mas que são adaptados a uma construção que não serve propriamente a música de dança, mas também não são uma composição perfeita para se enquadrar na electrónica. Às vezes, nos seus momentos mais deslocados, faz lembrar a estreia de Rashad Becker neste ano (“Sledgehammer II”) e noutros é um corpo perfeito para um filme de terror. “Spit” é, mais do que um grande disco, um retrato esgotado de uma sociedade, onde o carácter é algo que parece existir não nas pessoas mas em ideias imaginadas e recicladas ao longo do tempo. Algo abstracto sim, “Spit” deixa-nos assim.

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