Koushik “Out My WIndow”

Quarta-feira, 24 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
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KOUSHIK
Out My Window
CD Stones Throw – 12.95 eur

Mesmo com muitos beats neste álbum a remeterem claramente para uma cultura hip-hop (”cultura” e não tanto “som”), é fácil ouvir “Out My WIndow” como se fosse um verdadeiro clássico de soul psicadélica – “Buttaflybeat” tem até as palmas celebratórias de uma música destinada a elevar os espíritos, as mesmas palmas que os Metro Area, no seu set para a série Fabric, elogiam como sendo a coisa principal no Disco. Mas este álbum alcança um tempo anterior, processado no sampler de Koushik de uma forma orgânica, rural e de exteriores, em vez de urbana e de interiores (estúdio, quarto). Encontramos ainda David Axelrod, o lado mais introspectivo de Four Tet e a pop frágil de algumas canções de Songs Of The Green Pheasant (Fatcat) e até uma inclinação shoegaze como ouvimos também este ano nos Beach House. No entanto, “Out My WIndow” é mesmo um disco de soul, com todas as letras da palavra, imaginamos, a rodopiarem em torno da pandeireta que se vê na capa em contra-luz. Quando a voz de Koushik paira literalmente sobre a música, esta nada mais pode então fazer senão servi-la, procurando sempre o enquadramento perfeito. Pop para quem gosta de hip hop, beats para quem tem coração indie, soul para quem gosta de tudo. Oiçam aqui.

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Karl Hector + The Malcouns “Sahara Swing”

Terça-feira, 23 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
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KARL HECTOR + THE MALCOUNS
Sahara Swing
CD Now Again/Stones Throw – 12.95 eur

Este é o tipo de disco a partir do qual se constrói um filme, uma história, e não o contrário. Karl Hector (ou “Karl Hector”) e este projecto trans-sahariano que termina em Berlim (ou “Berlim”) vive para o funk e pelo funk. “Sahara Swing” percorre um trilho exótico que pede muito emprestado, à esquerda e à direita, a James Brown (tudo o que se chame funk tem de vir daí), Mulatu, Can, Fela, Master Musicians e a força dos breaks que sustentam muitos discos dos 70s. Jams inesgotáveis, densas e trabalhosas ou simples como beber água, parece que nasce tudo feito de uma fonte primordial de onde brota o ritmo universal, cru e pouco domado ainda, apesar de os corpos saberem naturalmente como se mexer em resposta a este som. Bateria, metais, flauta, vibes, orgão, baixo, guitarra e complementos que, noutro universo também, tocam sozinhos sem precisar de mão humana: imaginem um cartoon clássico onde os instrumentos dançam e têm expressões humanas, geralmente felizes. Música em liberdade.
Oiçam aqui.

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Revisão 2008 – 2

Quarta-feira, 10 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
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Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

JAMES PANTS
Welcome
CD Stones Throw – 13.95 eur

De repente aparece um nome para isto: Freshbeat. Cruzamento de boogie, disco, rap, pós-punk, kraut, soul e electro, em “Welcome” tudo orquestrado por Pants, James. Toca guitarra, bateria, teclas e canta, nada de extraordinário no mundo moderno mas nem todos o conseguem fazer com credibilidsade old school como “Welcome” transmite em três tempos. A profusão de estilos compactados num único álbum não compromete de todo a fluidez nem a direcção estética da música e reforça a ideia de que no centro do hip hop enquanto cultura musical está uma curiosidade infinita por fragmentos de todo o universo. Ouvido treinado, sentido rítmico, reciclagem sábia e muitos anos a ouvir pop das charts. Peanut Butter Wolf acrescenta que Pants consome psicadelia dos 60s e electrónica dos 70s. Num registo quase nada hip hop, “Welcome” assemelha-se em espírito aos Majesticons de Mike Ladd, “Ka$h” talvez seja o melhor exemplo disso. Vai também buscar Gary Davis (Chocolate Star), lendário produtor disco-funk e mais tarde miami bass. É no entanto a loucura natural de um puto que devora música o que vemos em acção neste álbum, trabalho de amor, entusiasmo e talento natural numa editora em que essas características não faltam. Pants segue as pegadas de Madlib e Peanut Butter Wolf mas também deixa as suas em locais estratégicos onde se nota uma direcção diferente. Rock on!
(Maio 2008)

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