Quarta-feira, 29 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
LULA CORTÊS & ZÉ RAMALHO Paêribú (Mr. Bongo)
ONEOHTRIX POINT NEVER Replica (Software)
VÁRIOS Spiritual Jazz, Volume II (Jazzman)
VLADISLAV DELAY Vantaa (Raster-Noton)
TIGER & WOODS Through The Green (Running Back)
SINGLES
TODD TERJE It’s The Arps EP (Olsen / Smalltown Supersound)
RICARDO MIRANDA Round Plastic Archives (Bosconi)
NCW Panther Veil (Apartment)
LATECOMER Cosmic Cart + Soulphiction rmx (Motor City Drum Ense)
ROBERT OWENS Sacrifice Remixes (Ndatl)
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Terça-feira, 21 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
EXPO 70 Journey Through Astral Projection (Immune)
DOUG JEREBINE Is Jesse Harper (Drag City)
FILHO DA MÃE Palácio (Rastilho)
DOUG HREAM BLUNT Gentle Persuasion (Ed. Autor)
THE WALKABOUTS Travels In Dustland (Glitterhouse)
SINGLES
TODD TERJE It’s The Arps EP (Olsen / Smalltown Supersound)
LEVON VINCENT Six Figures – Rising Sun Edition (Novel Sound)
JACQUES RENAULT Let’s Get Lost Vol. 11 (Let’s Get Lost)
HYPE WILLIAMS Kelly Price W8 Gain Vol. II (Hyperdub)
VÁRIOS Sound Sampler Vol. 1 (Sound Sampler)
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Terça-feira, 14 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
ANDY STOTT Passed Me By / We Stay Together (Modern Love)
VÁRIOS Pop Ambient 2012 (Kompakt)
SUNN O))) ØØ Void (Southern Lord)
TERRANOVA Hotel Amour (Kompakt)
VLADISLAV DELAY Vantaa (Raster-Noton)
SINGLES
GALA DROP Overcoat Heat (Golf Channel)
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
BOMBAY BICYCLE CLUB Let’s Get Lost Vol. 10 (Let’s Get Lost)
VÁRIOS Sound Sampler Vol 1 (Sound Sampler)
THE ANALOGUE COPS The Purple EP (Out-Er)
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Segunda-feira, 6 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
BURNT FRIEDMAN Bokoboko (Nonplace)
VÁRIOS Opika Pende – Africa At 78 RPM (Dust-To-Digital)
PINCH & SHACKLETON Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
OREN AMBARCHI Audience Of One (Touch)
KATE BUSH 50 Words For Snow (Fish People)
SINGLES
DARKSIDE Darkside EP (Clown And Sunset)
VÁRIOS Super Sound Single Volume 6 (Dikso)
POP & EYE Toil For Olive Oil EP (Editainment)
HELIUM ROBOTS Jarza EP (Running Back)
VÁRIOS Vanguard Sound Vol. 3 (Vanguard Sound)
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Segunda-feira, 6 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
FENNESZ + SAKAMOTO Flumina (Touch)
STRANGE MEN IN SHEDS WITH SPANNERS Strange Men In Sheds With Spanners (Groovy / Drag City)
NO UFO’S Soft Coast (Spectrum Spools)
MAX RICHTER Infra – Ed. Japonesa (Fat Cat)
THE WALKABOUTS Travels In Dustland (Glitterhouse)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
PINCH & SHACKLETON Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
OASIS (OMAR-S & SHADOW RAY) Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
NURSE WITH WOUND / GRAHAM BOWERS Rupture (United Dirtier)
SINGLES
ABACUS Idrum This Djembe (This Is Not A Bongo) (Ndatl)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (Vox) + dub (Environ)
PEAKING LIGHTS The Remixes (Weird World / Domino)
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
VÁRIOS Tusk Wax Three (Tusk Wax)
SHIMMY SHAM SHAM! 004 (Shimmy Sham Sham)
NO BOUNDARIES Modular Pursuits – Daphni Remixes (Planet E)
KASPAR Ode To The Ancients EP (Groovement)
EROS Eros 02 (Eros)
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Segunda-feira, 30 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
NURSE WITH WOUND / GRAHAM BOWERS Rupture (United Dirtier)
NO UFO’S Soft Coast (Spectrum Spools)
MAX RICHTER Infra – Ed. Japonesa (Fat Cat)
GUIDED BY VOICES Let’s Go Eat The Factory (Fire)
FENNESZ + SAKAMOTO Flumina (Touch)
SINGLES
NO BOUNDARIES Modular Pursuits – Daphni Remixes (Planet E)
BJORN TORSKE Oppkok – DJ Harvey, Todd Terje, Crimea X rmxs (Smalltown Supersound)
OMAR S PRESENTS COLONEL ABRAMS Who Wrote The Rules Of Love (FXHE)
VÁRIOS The Wurst Music Ever – part II (Wurst)
VIRGO FOUR It’s A Crime – Caribou & Hunee rmxs (Rush Hour)
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Segunda-feira, 23 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
FENNESZ & SAKAMOTO Flumina (Touch)
STRANGE MEN IN SHEDS WITH SPANNERS Strange Men In Sheds With Spanners (Drag City)
THE WALKABOUTS Travels In Dustland (Glitterhouse)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
SALLY SMITH AND HER MUSICIANS Hangahar – Soundtrack Of The Film (Drag City)
SINGLES
TOM CROOSE Cho Chua (Resista)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (vox) + dub (Environ)
PEAKING LIGHTS The Remixes (Weird World / Domino)
FOUR TET / CARIBOU Pinnacles / Ye Ye (Text)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
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Terça-feira, 10 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
SHABAZZ PALACES Black Up (Sub Pop)
OASIS (OMAR-S & SHADOW RAY) Oasis Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
NICOLAS JAAR Space Is Only Noise (Circus Company)
MACHINEDRUM Romm(s) (Planet Mu)
JEAN CLAUDE VANNIER L’Enfant Assassin Des Mouches (Finders Keepers)
SINGLES
ABACUS Idrum This Djembe (This Is Not A Bongo) (Ndatl)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (vox) + dub (Environ)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
BIG STRICK Timeless (7 Days Entertainment)
WALT J Ascender (FIT)
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Segunda-feira, 2 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa (Drag City)
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo (Drag City)
B FACHADA B Fachada (2011) (Mbari)
JAMES FERRARO Far Side Virtual (Hippos In Tanks)
JOHN ZORN A Dreamers Christmas (Tzadik)
HALLOWEEN A Árvore Kriminal (Sonoterapia)
BEN FROST / DANÍEL BJARNASON Sólaris (Bedroom Community)
VÍTOR RUA Heavy Mental (Orfeu)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
PETE SWANSON Man With Potential (Type)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
SANGUE DE CRISTO (PHOTONZ+TIAGO) Ponta do Mato / Cova do Vapor (One Eyed Jacks)
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss (Príncipe)
OMAR-S DETROIT High School Graffiti (Scion A/V)
ARTTU FEAT JERRY THE CAT Nuclear Funk (Royal Oak)
RONDENION Jack Jam (Ragrange)
RAMIREZ (DEAN BLUNT) A.M.Y. (Rush Hour)
NICOLAS JAAR Don’t Break My Love (Clown & Sunset)
MIND FAIR Kerry’s Scene (Theo Parrish Remix) (International Feel)
MAYA JANE COLES Humming Bird / Nobody Else (Hype LTD)
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Segunda-feira, 2 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo (Drag City)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
FENNESZ+SAKAMOTO Flumina (Touch)
ELIANE RADIGUE Transamorem-Transmortem (Important)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
MAYA JANE COLES Humming Bird / Nobody Else (Hype LTD)
WALT J Ascender (FIT)
VÁRIOS Tusk Wax Three (Tusk Wax)
VÁRIOS Vanguard Sound Vol. 2 (Plan B)
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Quarta-feira, 28 Dezembro, 2011
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Mais vale admitir. É no sector das reedições que encontramos muito do sangue anual que passa a correr nas nossas veias. Como toda a gente verdadeiramente interessada em música, somos criaturas híbridas com um olho inevitável no presente e outro cada vez mais fixo e interessado no passado. É em especial nesta lista que sentimos ter de deixar de fora edições importantes para que os 10+ possam reflectir não apenas o nosso gosto mas também o que julgamos historicamente relevante. Estas músicas fazem-nos constantemente reavaliar o momento actual, relativizam-no e, frequentemente, diminuem a sua importãncia para pouco mais do que um anexo à verdadeira história anteriormente escrita. Paixão quer pelo artesanato original quer por um bom compêndio que contextualiza uma existência particular, essa é a motivação que em muito ultrapassa o mero prazer na audição de música. De Carlos Paredes a Throbbing Gristle distam não só vários anos mas alguns sistemas solares. Em comum têm, por exemplo, o facto de já terem anteriormente conhecido reedições, mas de outra forma, noutro contexto e há muito tempo. Temos ainda uma obra conhecida diminuta (Doug Hream Blunt, um álbum) e outra muito vasta (John Fahey, ui, muitos álbuns) que originaram dois outros discos nossos favoritos em 2011. Compilações fantásticas de Daphne Oram, uma mulher que, na electrónica, foi até onde poucos (homens ou mulheres) ousaram. Mais house, pop/rock, Portugal e o Mundo. Tecnicamente, nem tudo aqui se pode chamar “reedição”, mas isso é explicado mais abaixo. Voltando ao início deste texto, somos todos pessoas híbridas que dificilmente poderiam existir há 15 anos atrás. Festejamos agora a nossa particularidade feita de múltiplas partículas alheias.
AUTECHRE EPs 1991-2002
5CD Warp – 35.50 eur (Temporariamente indisponível)
LEGO FEET Lego Feet
CD Skam – 13.95 eur
Uma das várias caixas que destacamos este ano, 5 CDs que reúnem cronologicamente todos os EPs de Autechre, traçando uma evolução desde a estrutura ainda influenciada por hip hop e electro (mas já na mira de novos sons) até à desconstrução abstracta dos últimos EPs. Cerca de uma década de mudanças radicais no papel da música electrónica no gosto popular, com Autechre a desviarem-se progressivamente das correntes principais para um mundo sónico próprio. Legado impressionante que une hip hop e industrial, música ambiental e concreta, desconstrução orgânica e ciência de computador. Muitos imitaram mas ninguém destronou Autechre. Lego Feet foi uma sua encarnação primitiva. Um EP de 1991 que prefigura não tanto o que viria a acontecer com Autechre mas antes o que viria a acontecer na electrónica criada em seu redor e, também, de LFO. Há pontos de contacto, por exemplo, com “Frequencies” (também de 1991 e também reeditado em 2011), embora a sensibilidade de Sean Booth e Rob Brown aponte mais para a estrutura de rua edificada pelo hardcore (mais tarde jungle). São momentos empolgantes para quem segue a evolução estética da música de dança e, especialmente, para quem nunca teve a oportunidade de se cruzar com alguma da música mais vanguardista produzida fora de academias, galerias de arte e conceitos artísticos.
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CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo
LP Drag City – 18.95 eur
Talvez sejam estas as reedições do ano. Não que a música estivesse indisponível, mas este acto tão simples de colocar estes dois álbuns disponíveis ao mundo, neste formato, numa editora como a Drag City, encerra em si mesmo um gesto de extrema importância e beleza. E por muito peso que coloquemos em cima destas obras – a nossa identidade, o enunciado basilar do nosso mais legítimo instrumento, o fulgurante início de um intérprete e compositor ímpar da nossa música -, “Guitarra Portuguesa” e “Movimento Perpétuo”, de 1967 e 1971, respectivamente, parecem sair incólumes de qualquer embate ou discussão, como qualquer obra-prima que se preze. De repente, Carlos Paredes parece poder entrar num panteão universal onde habitualmente vemos inscritos os nomes de John Fahey ou Leo Kottke, por exemplo, e isso é tanto mérito da sua música como do entusiasmo de Ben Chasny (Six Organs Of Admittance) e do empenho de Fred Somsen (Drag City). Carlos Paredes é, oficialmente, património universal.
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CONRAD SCHNITZLER Ballet Statique
LP M=Minimal – 11.50 eur (Temporariamente indisponível)
Schnitzler faleceu em Agosto de 2011, deixando um legado impressionante de música editada e por editar. “Ballet Statique” foi gravado em 1978 e parece operar a transição entre a electro-acústica dos 50s e 60s, o som mais cósmico dos 70s e o industrial dos 80s. Semelhanças com música contemporânea de Throbbing Gristle e Cabaret Voltaire colocam Conrad Schnitzler numa posição de pioneiro, em primeiro lugar, mas também de jogador de pleno direito face a qualquer outro nome seu contemporâneo. Ao contrário do que aconteceu com os Kraftwerk uma década depois, quando procuraram actualizar canções antigas para a era techno, Schnitzler produzia música que rivalizava com os seus pares e, frequentemente, a ultrapassava em grandeza e alcance. Sonhos muito bonitos de ficção científica.
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DAPHNE ORAM Oramics
4LP Edição Limitada Young Americans – 37.50 eur
DAPHNE ORAM The Oram Tapes – Volume One
4LP Edição Limitada Young Americans – 45.50 eur
Duas compilações ambiciosas de quatro discos cada juntam partes do trabalho de Daphne Oram até agora – inacreditavelmente! – nunca editadas ou pouco conhecidas. Fulcral para conhecer a sua importância na música electrónica e para perceber o som que Daphne Oram tirava do seu sistema Oramics, por si criado e desenvolvido ao longo de anos. A qualidade do som é suprema e arriscamos dizer que estes são os pedaços mais importantes da história da música recuperados em 2011.
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DOUG HREAM BLUNT Gentle Persuasion
CD Edição de Autor – 13.50 eur (Temporariamente indisponível)
Nem reedição, nem retrospectiva. Na verdade, nem certeza temos de ser um disco antigo, embora toda a informação que recolhemos na net aponte para uma gravação do final dos anos 90. Conhecemos “Gentle Persuasion” este ano e não queremos que fique de fora. Aqui ouve-se uma espécie de Ariel Pink passado pela arte boogie e um fetiche hendrixiano a tocar num fim de tarde ameno em plena Califórnia. Há também o facto de alguns tiques vocais de Doug Hream Blunt soarem a Residents e, então, ouvimos música que parece cirurgicamente fabricada para chamar a atenção. Depois lemos mais um pouco sobre como a banda foi reunida entre amigos e conhecidos e vemos alguns videos com todos em acção no regime mais descontraído de sempre, parecendo tentar, vez após vez, aperfeiçoar a mesma canção. Lindo. E viciante para além de qualquer explicação.
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JOHN FAHEY Your Past Comes Back To Haunt You – The Fonotone Years (1958-1965)
Caixa 5CD+Livro Dust-To-Digital – 94.50 eur 77.50 eur
Depois das caixas supremas de Charley Patton e de Albert Ayler na Revenant, esta de John Fahey matou as saudades destes artigos belíssimos, cuidados, com gravações raras ou esquecidas pelo tempo – e aqui há que tirar o chapéu e fazer a devida vénia à Dust-To-Digital pelo trabalho incrível que tem feito em quase todas as suas edições – conceptual e formalmente. Um pouco de Fahey antes de Fahey, ou melhor, antes do Fahey que nos habituámos a conhecer e a ouvir, ainda novo e longe das lições que o futuro lhe traria. “Your Past Comes…” é uma caixa-forte luxuosa e imponente, contendo, para além dos 5 discos, um extenso livro com fotos inéditas e notas sobre todas as músicas incluídas. Juntar John Fahey à Dust-To-Digital foi a melhor notícia do ano para nós.
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JÜRGEN MÜLLER Science Of The Sea
LP Digitalis – 19.50 eur (Indisponível)
De vez em quando ouvimos histórias de gente que, pelas razões mais honestas e humanas, resolveram fazer música para marcarem um determinado momento. Jürgen Müller é um desses casos, resolveu musicar imagens que recolheu do fundo do mar, usando o material que tinha à mão e que os amigos lhe emprestaram. Mal sabia ele que estava a criar peças com um discurso completamente contemporâneo e que hoje, no século XXI, talvez façam mais sentido do que há 30 anos. Mais do que nos deixar dentro de água, “Science Of The Sea” encosta o fundo dos oceanos aos nossos ouvidos por influência kosmische.
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OLIVIA TREMOR CONTROL Music From The Unrealized Film Script: Dusk at Cubist Castle
OLIVIA TREMOR CONTROL Black Foliage: Animation Music Vol
2LP Gatefold+Download Chunklet – 21.95 eur
(Ambos temporariamente indisponíveis)
Falar hoje da importância dos Olivia Tremor Control pode ser um absurdo para alguns. Mas a verdade é que num momento nos anos 90 eles soaram como a melhor coisa desde os Beatles (passe o exagero) e deixaram, entre várias outras coisas, dois álbuns absolutamente fenomenais, que ainda hoje são ouvidos com a frescura de então e que metem a um canto praticamente tudo o que acontece no campo da pop hoje em dia (sem exagero). As reedições em vinil de “Black Foliage” e “Dusk At Cubist Castle” pela Chunklet foram das melhores notícias do ano. Edições de luxo para dois álbuns que o merecem. Música feliz para gente feliz.

THROBBING GRISTLE Second Annual Report
THROBBING GRISTLE DOA – Third And Final Report Of Throbbing Gristle
THROBBING GRISTLE 20 Jazz Funk Greats (Temporariamente indisponível)
THROBBING GRISTLE Heathen Earth
THROBBING GRISTLE Greatest Hits
2CD Industrial – 18.50 eur 14.50 eur
LP Industrial – 19.95 eur 15.50 eur
Foi um dos empreendimentos discográficos do ano: a reedição remasterizada (por Chris Carter) de alguns dos títulos-bandeira dos sempre disruptivos Throbbing Gristle. Não só pela dimensão quase épica do feito (foram cinco!, em vinil e CD duplo), mas pelo facto de nos chegaram novamente pelas mãos da sua editora, a Industrial Records. Uma selecção que sintetiza bem o seu percurso: “Second Annual Report” introduz-nos os seus pergaminhos industriais; em “D.O.A”, o som torna-se mais sintético; com “20 Jazz Funk Greats” já dançamos um pouco e gritamos “Discipline”; “Heathen Earth” concilia o registo ao vivo (o verdadeiro habitat dos ingleses) e em estúdio e, para rematar, “The Greatest Hits” (única manobra convencional para uma discografia contracorrente). Verdadeiros marcos dos “wreckers of civilization”.
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VIRGO Resurrection
CD Rush Hour – 12.50 eur (Temporariamente indisponível)
Caixa 5LP Rush Hour – 44.95 eur (Temporariamente indisponível)
Retrospectiva em CD e, mais completa, em cinco LPs quase inteiramente compostos por música inédita. Uma das obras mais importantes na história da house, documento precioso para se entender o antes e depois do momento em que a house se tornou género autónomo. Kraftwerk e a synth pop europeia a serem os motores de uma mutação que, de outra parte, recebia alguns genes disco e, assim, resultava numa nova forma que é standard da indústria há 25 anos. “Resurrection”, no entanto, tem muito pouco de standard. É uma colecção de faixas cuja localização temporal, embora definida (1984-1990), sugere uma genuína permanência no jogo actual. Basta ouvir os melhores maxis de house editados em 2011.
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Quarta-feira, 28 Dezembro, 2011
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Sentimos que foi um ano bastante esquizofrénico na noção de pop/rock que interessa reter. Menos preponderância das guitarras, nesse contexto, apesar de terem saído vários álbuns importantes apoiados no formato tradicional. É, no entanto, numa margem antigamente pouco considerada que aparecem James Blake, Nicolas Jaar, John Maus, Peaking Lights, Washed Out, por exemplo. São discos claramente inseridos no momento pop actual, todos diferentes entre si e todos alvo de culto mais ou menos intenso em 2011. Os dois primeiros foram claramente absorvidos pelo mercado muito necessitado de êxitos. O que é paradoxal é o facto de tanto “James Blake” como “Space Is Only Noise” serem discos profundamente´intimistas, melancólicos (por vezes mesmo tristes), a antítese dos discos felizes ou despreocupados que habitualmente povoam as listas de vendas. E, em Portugal, discos desta natureza parecem encontrar especial carinho. Talvez as pessoas se sintam mais tristes, mesmo. Quanto ao resto, ano muito rico na produção nacional, amor a Panda Bear concretizado em atenção e vendas, e demasiados outros detalhes num cenário cada vez mais fragmentado em que os fenómenos são enormes mas para um grupo restrito de pessoas, celebrando “heróis locais” que se tenta elevar à categoria de messias. Mas todos nós tendemos a elogiar em demasia os respectivos trunfos, ansiosos por espalhar a visão pessoal como a mais adequada para uma maioria que, claramente, já não existe. E assim, sem surpresas de maior, deixamo-vos com alguns dos nossos favoritos e campeões de 2011.

AQUAPARQUE Pintura Moderna
CD Aquaboogie – 9.95 eur
“Pintura Moderna” é uma continuação natural de “É Isso Aí” – uma certa abstracção na forma das canções antigas ganhou o aspecto perfeito da ideia, ou fórmula pop, que André Abel e Pedro Magina imaginaram para este novo lote. Mais do que um jogo de referências nacionais, os Aquaparque abrem o coração para uma visão da pop feita em português em 2011, não no campeonato de aquecimento do desconto tuga. Há coisas que se esquecem quando ouvimos uma voz em português. Abrir horizontes, afinal. Vá para fora cá dentro, não é?
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BILL CALLAHAN Apocalypse
CD Drag City – 15.50 eur 12.95 eur
LP Drag City – 17.95 eur 14.50 eur
A cada passo que dá, a fasquia sobe, a atenção multiplica-se, o currículo agiganta-se. Mas Bill Callahan parece ignorar o mundo que olha para ele e isso dá-lhe uma altivez que, na sua música, parece aproximá-lo de uma serenidade que nos emociona e atrai. Uma espécie de céu, onde mora alguém que acreditamos ser melhor que nós todos. Achámos um exagero partidário voltar a colocar um álbum de Callahan nas nossas listas, mas quando voltamos a “Apocalypse” acreditamos novamente que o homem está predestinado a nunca falhar um disco. Este é o nosso agradecimento por esse prazer e segurança.
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FILHO DA MÃE Palácio
CD Rastilho – 12.50 eur 9.95 eur
Nem todos os apagões de corrente geram obras desta magnitude. Rui Carvalho desligou quase toda a electricidade que acumulou durante anos nos If Lucy Fell, por exemplo, para, sozinho e com uma guitarra acústica, oferecer-nos um dos álbuns mais encantatórios do ano. Sim, primeiro houve o efeito surpresa, mas o verdadeiro espanto foi a sua lírica, ultra-física, continuar ainda a deslumbrar-nos passados estes meses. Nesta altura, não temos quaisquer dúvidas que “Palácio” é um dos grandes discos do ano e uma descoberta – talvez tardia – de um dos mais luminosos guitarristas da nossa área geográfica.
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JOHN MAUS We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves
CD Upset The Rhythm – 16.50 eur 12.95 eur
LP Upset The Rhythm – 19.50 eur 15.50 eur (Temporariamente indisponível)
Finalmente caiu algum reconhecimento em cima de John Maus. Vale a pena lembrar quando tocou cá pela primeira vez, numa sala quase vazia na Zé dos Bois depois do cancelamento de Wavves, num concerto inesquecível para os poucos que ficaram ou que o foram ver de propósito. “Songs” e “Love Is Real” não foram suficientes para convencer o povo em relação a este – mais um – discípulo de Ariel Pink. “We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves” surgiu no momento certo, em que finalmente há uma certa abertura para este tipo de som que, afinal, continua a ser igual desde o início da carreira de Maus. Às vezes é assim. Uma canção encheu-nos o coração: “Hey Moon”. Melhor de sempre.
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NICOLAS JAAR Space Is Only Noise
CD Circus Company – 16.50 eur 12.95 eur
LP Circus Company – 26.50 eur
Uma consequência importante da grande visibilidade que o álbum teve em 2011 foi a denúncia em relação a uma sample ilegal nele contida. Essa faixa (alegadamente “I Got A Woman”, que utiliza Ray Charles) será excluída de uma nova edição do álbum mas, francamente, não é esse detalhe que vai fazer diminuir a sua relevância. Depois, encontra-se muito perto do topo na nossa lista de discos mais vendidos este ano e isso, mais do que nunca, é factor de carinho para nós. Jaar conseguiu disseminar o seu design sonoro cinemático por muito mais gente do que seria de esperar, actualizando a melancolia de ambientes Portishead vintage para uma época em que toda a gente se sente muito mais à vontade com “electrónica experimental”. Muito pouco para dançar, bastante para imaginar.

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PANDA BEAR Tomboy
CD Paw Tracks – 16.50 eur 12.50 eur
LP Vinil Branco Paw Tracks - 21.50 eur 17.50 eur
Caixa LP Edição Limitada Paw Tracks – 39.95 eur 37.50 eur
O disco mais esperado de 2010 tornou-se no disco mais esperado para 2011. Há muito que aguardávamos por “Tomboy”, especialmente quando soubemos que as versões em disco seriam diferentes daquelas apresentadas em single, que teriam um toque especial de Pete Kember – o homem Sonic Boom. Valeu por tudo, até pela espera. “Tomboy” era tudo aquilo que desejaríamos de um sucessor de “Person Pitch”. Não é mais do mesmo, é um disco elaboradíssimo a nível de som e que procura claramente uma nova via para evitar a repetição de “Person Pitch”. Mas em vez de uma nova fórmula, tivemos várias, presentes ao longo das canções de “Tomboy” e às vezes até dentro de cada uma.
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PEAKING LIGHTS 936
CD Not Not Fun/Domino/Weird World – 14.50 eur (Temporariamente indisponível)
LP Not Not Fun/Domino/Weird World – 15.50 eur
O ano começou da melhor forma para a Not Not Fun. “936″ passa facilmente como o título mais forte da editora neste ano. O casal Indra Dunis & Aaron Coyes surpreendeu tudo e todos com uma série de canções que fazem o cruzamento entre os vários géneros que batiam no momento. De certa forma, “936″ é uma reunião de tudo o que de bom aconteceu nos últimos anos, sem uma verdadeira identidade, mas com canções suficientemente fortes para justificarem essa ausência.
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SUN ARAW Ancient Romans
CD Sun Ark/Drag City – 15.50 eur 12.95 eur
LP Sun Ark/Drag City – 18.95 eur 16.50 eur
Sun Araw começaram por ser um produto da Not Not Fun, há uns anos, mas depressa se percebeu que o mundo deles era bem mais universal e inclusivo. “Ancient Romans” começa quase sempre onde tudo parece terminar, e basta vê-los ao vivo para se entender como há gozo extra em construir peça-a-peça. Quando tudo encaixa, seja com groove circular – “Impluvium” empurra-nos fisicamente para a dança -, ou em modo de dispersão nebulosa, Sun Araw hipnotiza-nos os sentidos, mostrando que exótica verdejante ou dub lo-fi convivem em harmonia com falsa música étnica ou citações alt-rock de alto calibre. São oitenta minutos de um longo passeio por sons e lugares aprazivelmente instáveis e idiossincráticos.
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TOM WAITS Bad As Me
CD Anti – 13.95 eur (Temporariamente indisponível)
2CD Edição Limitada Anti – 24.50 eur
LP+CD Anti – 25.95 eur (Temporariamente indisponível)
Porque é Tom Waits. E porque continuar a sê-lo exige fonte inesgotável de vida e badassness. Pacto com o demo ou não, “Bad As Me” é um concentrado da miríade de personas que perfazem Waits – desde a romântica e bluesy à mais groovey e irascível. É esse o elemento surpresa: a continuidade na pujança. Amor e errância cantados e encenados desta forma, a tocar a singela e tortuosa verdade, merecem ser sempre catapultados e celebrados em qualquer lista.
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WASHED OUT Within And Without
CD Domino/Weird World – 15.50 eur 12.50 eur (Temporariamente indisponível)
LP Domino/Weird World – 18.95 eur (Temporariamente indisponível)
Logo cedo em 2011 começou a matar-se a chillwave. De certa forma, já não servia o paradigma de uma nova era que o jornalismo/blogs tentam vender. O primeiro álbum de Washed Out ainda estava para chegar, saiu no Verão, altura própria e propícia para estas músicas, numa sublabel da Domino, a Weird World, que anda a pegar em algum talento indigente dos últimos anos e atirá-lo para um outro campeonato, onde certamente receberá uma maior e justa visibilidade. Foi impossível não sermos atraídos.
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Segunda-feira, 26 Dezembro, 2011
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ÁLBUNS
B FACHADA B Fachada (Mbari)
JAMES FERRARO Far Side Virtual (Hippos In Tanks)
OASIS (OMAR-S + SHADOW RAY) Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa (Drag City)
THE CARETAKER An Empty Bliss Beyond This World (History Always Favours The Winners)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
NICOLAS JAAR Don’t Break My Love (Clown & Sunset)
A DRUMMER FROM DETROIT Part One / Part Two (FIT)
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss (Príncipe)
ZOMBY Nothing (4AD)
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Quinta-feira, 22 Dezembro, 2011
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Lista mais desregrada do que as restantes, até porque faz sentido agrupar alguns maxis em torno de uma só apreciação. Em vez de 10 títulos, aqui mostramos “à volta de 10″ títulos. Representação de quase tudo aquilo de que gostamos, embora muito mais do que gostámos em 2011 tenha ficado de fora. Foi um ano fantástico para seguir nas edições de maxis em vinil, muito mais abertura e experimentação num ano em que house dominou absolutamente não só em relação à qualidade da música mas também em relação à importância desta noutros cenários (indie rock, por exemplo). Ano também muito bom nos limites da dança (Farben e KPLR, nesta lista) e, no mínimo, expressivo na produção portuguesa com visibilidade lá fora: Kaspar, Photonz, Tiago, Cisco Cisco, Social Disco Club, a Groovement, a Iberian e a One Eyed Jacks editaram vários maxis que agitaram os respectivos ambientes, mas nós escolhemos dois que são mais nossos do que os outros. Com o Pedro e o Nelson de Filho Único fechámos os olhos e passámos de crentes a concretizadores. Estes discos são a expressão do nosso orgulho pelo trabalho que Marfox e Photonz têm desenvolvido. Nós gostamos de música, eles fazem música de que nós gostamos.

DJ MARFOX Eu Sei Quem Sou
12″ Príncipe – 7.50 eur
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss
12″ Príncipe - 7.50 eur
Dois maxis no mesmo movimento (o primeiro) desta nova editora baseada em Lisboa. Já devem conhecer Photonz, com a diferença de que nunca ouviram duas faixas tão longas produzidas pelo Marco e o Miguel na Margem Sul. Em outro subúrbio, Marfox vê editado o seu primeiro disco para apresentar a um outro mundo os beats que até agora elevaram o seu perfil maioritariamente longe da nossa vista, na net e por aí. Batida kudurística vanguardista em modo rave com o necessário coração tribal a pulsar com força até quando se reduzem as rotações de algumas faixas para 33. Nos Photonz, a rave começa por uma ideia romântica que procuram fixar com algumas sequências longas de transmissão mental para equilibrar a batida gorda. Ligação íntima à História da música produzida em Portugal até pela masterização de ambos os discos ter sido feita por Tó Pinheiro da Silva (procurem o seu nome). Concepção gráfica por Márcio Matos e quem nos conhece sabe que o todo é, em parte, trabalho nosso. Acreditamos nisto.
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FARBEN Xango
12″ Faitiche – 8.95 eur
Jan Jelinek: um dos nossos favoritos desde que abrimos a loja. Bom trabalho em 2011 com a sua editora Faitiche e, neste maxi, reposicionamento do ritmo como se Farben passasse de micro a macro. Há máquinas em auto-gestão (a faixa título) e, por outro lado, um amor pelo detalhe complexo que poucas vezes deixa a batida dizer sozinha o que tem para dizer. No fim, mostra-nos uma pulsação subaquática a tentar emergir enquanto o ritmo mantém a sua ordem – baseia-se nos sons caseiros de Ursula Bogner (regressaremos a ela num futuro post), matéria livremente organizada para inspirar corações de pedra como dizem que nós somos. Parece alienígena mas não é.
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FRANKFURT SESSIONS Frankfurt Sessions
12″ Sex Tags Mania – 8.50 eur
Uma jam analógica tem quase tudo para dar certo. Nas mãos do pessoal da Sex Tags adquire um propósito de missão. Duas faixas longas de contemplação nerdy com acção suficiente para embalar quem procura extrair o sumo nas margens. Sessões aparentemente gravadas ao vivo, um lado tem 15 minutos, o outro tem 10. O som palpitante produzido aqui é a própria essência de uma das grandes coisas a reter em 2011: a procura do Graal analógico, o som dos 90s, a partícula Jack. “Frankfurt Sessions” explica como é em pouco menos de meia-hora. Este é o melhor disco que Non Standard Institute (Tobias Freund e Max Loderbauer) não gravou em 2011.
HEROES OF THE GALLEON TRADE Neptune’s Last Stand
12″ Golf Channel – 10.50 eur
RUB N TUG Scanners / All 4 U
12″ Rub N Tug – Temporariamente indisponível
Mesma família e dois dos mais sólidos nomes a guardar a intrusão da cultura psicadélica na música de dança: Golf Channel e Rub N Tug. Os Heroes foram o ataque de seriedade irónica à cena baleárica cada vez mais vazia – se é para fazer, que seja “a sério”. Convocaram todos os sons e palavras certos para dois momentos que abrem uma porta de ancestralidade onde habitualmente só se vêem as trivialidades do Presente. Muito bem feito. Rub N Tug mostram o que parece ser um vislumbre do prometido e muito adiado álbum de originais, e em “Scanners” conseguem efectivamente o poder das melhores coisas da DFA (”Happy House” ou “Beat Connection”, por exemplo), a comentada ancestralidade (ver um pouco acima) e uma imaginação fértil na composição de canções no eixo pop-rock mas claramente direccionadas por um sopro de vento cósmico.
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ITAL Ital’s Theme
12″ 100% Silk – 9.50 eur
O ano começou com o nascimento de uma editora irmã da Not Not Fun, a 100% Silk, criada e concebida por Amanda Brown, que resolveu dar vida ao seu interesse pela música de dança e dar espaço de exploração a alguns amigos e conhecidos da editora mãe que têm mostrado à-vontade, nos últimos anos, para saírem de um território mais rock e instalarem-se na música de dança. O primeiro maxi a sair foi precisamente este “Ital’s Theme” do projecto Ital de Daniel Martin-McCormick (Mi Ami e Sex Worker) e manteve-se ao longo do ano como o mais interessante a sair neste catálogo. Uma aventura destemida por territórios da Mathematics e da FXHE que revelou bem o quão próximo algum rock está de algum house que foge às normas. Óptima carta de apresentação da editora que, infelizmente, não teve grande continuidade e acabou por cair numa tendência exploratória de house mau dos anos 90, tornando-se bem menos interessante na segunda metade de 2011. Já Ital, valeu a pena seguir o seu percurso, principalmente por causa de “Culture Clubs” (Lovers Rock), outro grande maxi editado neste ano.
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KPLR Tek No Muzik
12″ Crazy Iris – Temporariamente indisponível
KPLR representam, este ano, a nova ascenção do techno através do sector experimental onde o ritmo habitualmente não é introduzido para fazer dançar. Esta é também uma diferente interpretação do som ácido, aqui ele comprime a pista de dança até ficar uma massa espessa. E como é que isto pode ser entusiasmante? Lembrem-se dos momentos Pan Sonic em que a repetição techno soava subversiva, depois adicionem o discurso autónomo das máquinas (de acordo com as profecias, está mais ou menos na altura de elas tomarem o Poder) e, ainda, a naturalidade com que o “estranho” se passeia entre nós no som de 2011. Ainda assim, ficaríamos desapontados se “Tek No Muzik” não provocasse algumas náuseas.
LEVON VINCENT Man Or Mistress
12″ Novel Sound – Temporariamente indisponível
Se o techno, como a house, nunca foi embora desde que chegou, Levon Vincent captou a essência num maxi estrondoso que já não vão conseguir arranjar a preço decente. A sirene elástica tipicamente rave comunica com o beathead mais básico, enquanto “Making Headway” procura o caminho com uma respiração disciplinada que recorda, assim de repente, Nitzer Ebb. No fim, “No Regrets” podia ser mais um exercício fútil em dub techno mas o instinto diz-nos que não, passado um pouco. E quando Levon canta, em tom meio frágil, “Took my chances anyway”, nós achamos que valeu a pena.

MARCUS MIXX Use Your Mouth To Love Me
12″ Unknown To The Unknown – 8.95 eur
Nos seus créditos consta o nome de Ron Hardy. Mas “Use Your Mouth To Love Me” e “U Blow Girl (Mouth Mix)” servem de atestado absoluto para ter Marcus Mixx como um dos jackers do ano. Tudo aprumado para lançar fogo na pista de dança: samples vocais (femininos e masculinos) com letras tudo menos ortodoxas (à lá Jack) – vejam o rótulo e imaginem o resto “Put your mouth down there and do better than my wife” – e, claro, drum machine distorcida. Tudo aqui ultrapassa o volume. Groove estonteante em contacto com a fibra última e suada.
MAXMILLION DUNBAR Max Trax For World Piece
12″ Future Times – 8.95 eur
PROTECT-U World Music
12″ Future Times – Temporariamente indisponível
Num ano em que Amanda Brown da Not Not Fun lançou uma outra editora (100% Silk), aproveitada por observadores para reforçar o termo hipster house, a Future Times continua a trabalhar em terreno próprio, simplesmente agora mais exposto à curiosidade indie. O compasso narcótico e simultaneamente viajante nestes dois maxis é um testemunho de uma certa paragem no tempo, ou de uma ligação como a folha cujas extremidades se tocam quando a dobramos – deixa de haver Entretanto, só há Passado e Presente e são uma coisa apenas. Boogie, house e material cósmico global (ambos os discos têm “World” no título, não?). É assim forte a sensação de que estes beats são para todos e não apenas para quem dança, há um nível de comunicação livre da pressão da concorrência no vil mercado da música de dança. Não conseguimos escolher um só, têm de ser os dois maxis.

RAMIREZ A.M.Y.
12″ Rush Hour – 8.50 eur
Loop disco bastante saturado, como se fosse um break gigante aproveitado no seu máximo potencial. Dean Blunt (Hype Williams) gravou assim um dos maxis mais agitadores de 2011, ao som do qual dificilmente se dança mas transmite uma vontade louca de o fazer. Ele canta algumas palavras por cima em microfone de baixa-fidelidade e a sujidade de toda a proposta é tão cativante que faz acreditar no poder de atracção de uma vida no underground como fim último da nossa ligação à música. Ele vive em Lisboa, agora.
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THEO PARRISH Feel Free To Be Who You Need To Be
12″ Sound Signature – 9.95 eur
Todos os anos celebramos a diferença deste produtor de Detroit em relação à multidão. A nua verdade é que, depois disto, não conseguimos ouvir muitos outros maxis de house ou techno sem achar que é tudo banal e desinteressante. Parrish mantém activo um laboratório de música de dança há muitos anos e, tal como os desportos motorizados de alta competição desenvolvem sistemas e componentes mais tarde utilizados em veículos do dia-a-dia, também muitos wannabes que produzem house querem o toque de Midas por telepatia ou algo assim. Jazz astral, já se disse antes, em forma de house que ameaça com a ordem “You must be free”. Theo Parrish não só dá um bom conselho como pratica aquilo que diz.
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