Sexta-feira, 30 Janeiro, 2009
Categoria: Novidade
Etiquetas: Profan, Studio 1, Wolfgang Voigt

WOLFGANG VOIGT
Studio 1
CD Profan – 14.95 12.95
Studio 1, para além de ser uma óbvia referência ao Studio 1 jamaicano, é uma espécie de versão esquelética de um outro projecto de Wolfgang Voigt na Profan: M:I:5. Como descrevê-lo? Soava como se houvesse som de duas pistas a correr simultaneamente mas em direcções opostas. A espantosa arquitectura de contratempos baralhava a nossa percepção de ritmo como boa Op Art. Studio 1 parece aproveitar apenas uma das pistas para expôr o processo, a raiz a partir da qual cresce tudo o resto. Ambos os projectos foram extintos antes do século XXI, e isso diz muito sobre onde está a fonte das inúmeras divagações dub techno que ouvimos (e ignoramos, na sua maior parte) hoje em dia. Em processo de revisitação de alguns marcos da música electrónica, Wolfgang Voigt mostra em Studio 1 o Mr. Hyde para o Dr. Jekyll de Gas, ou vice-versa, dependendo de qual dos projectos vocês considerem mais equilibrado e qual o mais maquiavélico. Ritmo vs. atmosfera saturada de pressão. A série Studio 1, composta por uma dezena de maxis identificados por cores e editados entre 1995 e 1997, define o que era o som minimal de Colónia, passou a ser novo standard na indústria e, hoje, assume um papel cultural semelhante ao da Basic Channel em Berlim. A música de Studio 1 é uma ferramenta rítmica, gera os seus grooves através da fricção de beats e segue uma ideia do princípio ao fim de cada faixa, abrindo apenas o espaço suficiente para pequenos acontecimentos, as notas de rodapé que adensam ainda mais o mistério sobre o que se esconde atrás deste som, que portas abre e para onde se dirige. Clips aqui.
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Sábado, 13 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Gas, Kompakt, Wolfgang Voigt
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

GAS (WOLFGANG VOIGT)
Nah Und Fern
4CD Kompakt – 24.50 eur
Começando pelo fim, esta será, decerto, uma das grandes reedições do ano: uma caixa com os quatro álbuns de Gas, um dos múltiplos projectos de Wolfgang Voigt, e, vendo à distância de uma década, talvez um dos mais determinantes. Em 1995, alguns anos antes de Vladislav Delay entrar em campo e em sintonia com alguns avanços laboratoriais da Basic Channel, um maxi na Profan daria o ponto de partida para uma nova visão do techno, tão difusa e original que quase anulava os seus princípios básicos – o ritmo – para os fazer emergir numa enigmática nuvem ambiental, hipnótica e declaradamente hipercalórica. “Gas”, em 1996, traçava todos os caminhos a percorrer sem esconder nenhuma das intenções; “Zauberberg”, no ano seguinte, seria mais penetrante, abrindo o leque de tons e cores, aumentando o nível de rarefacção ruidosa; “Königsforst”, 1998, intensifica o ritmo cardíaco e destapa uma noção simulada de melodia por entre as trevas; “Pop” poria o ponto final a Gas em 2000, num cristalino e ultradefinido álbum, repleto de luz e detalhes, denotando uma maior predominância ambiental e pondo o ritmo quase em surdina. Há, claro, um longo labirinto implícito nestes quatro álbuns, que com novo layout formam claramente 4 peças de um puzzle incompleto e críptico. Em 1995, muitas das hipóteses seriam abertas como Mike Ink no álbum “Life’s A Gas”, mas só depois desta tetralogia ficou claro todo o alcance sonoro dos loops e do ambientalismo de Wolfgang Voigt. Basta escutar todas as ondas que replicaram Gas desde então.
(Junho 2008)
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